quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Gêmeos.Virtuais nos Jornais

Estou muito contente com a repercussão que teve o evento comemorativo de 10 Anos! Além da matéria sobre o evento que saiu no Caderno C (do Correio), recebi uma mensagem de Adriana Ruiz, amiga e organizadora do evento, de que saiu um comentário sobre meu livro do Correio do Leitor, e hoje mesmo fui entrevistado mais uma vez pelo Correio Popular. Fico muito contente com o apoio que a mídia está dando aos escritores Sci-Fi.

Abaixo seguem os links para algumas matérias online e a matéria do Caderno C.

Matéria do Caderno C do dia 19 de outubro de 2013

Links

Biblioteca comemora dez anos do livro 'Gêmeos Virtuais'

Portal da Prefeitura de Campinas

A biblioteca pública municipal Prof. Ernesto Manoel Zink, de Campinas, recebe neste sábado, dia 19 de outubro, a partir das 15h30, o evento comemorativo dos dez anos de conclusão da obra literáriaGêmeos.Virtuais... [ler mais]

[Comunicado] Comemoração de 10 Anos de Gêmeos.Virtuais!

Blog Procurei em Sonhos

Tem algum tempo que resenhei o livro Gêmeos.Virtuais do (meu) queridíssimo Rapha (observem a intimidade, haha), e também já sorteei três exemplares aqui no blog... [ler mais]

Biblioteca comemora dez anos do livro Gêmeos Virtuais
Portal Azul Celeste

A biblioteca pública municipal Prof. Ernesto Manoel Zink, de Campinas, recebe neste sábado, dia 19 de outubro, a partir das 15h30, o evento comemorativo dos dez anos de conclusão da obra literária Gêmeos.Virtuais...[ler mais]

10º Aniversário de Gêmeos.Virtuais

Portal Eventos Campinas

O evento é aberto ao público em geral. Para participar basta fazer a doação de um livro por pessoa. Os livros serão doados para a Biblioteca Municipal. (o participante, ao doar um livro, recebe um exemplar de Gêmeos.Virtuais)...[ler mais]

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

10 Anos de Gêmeos.Virtuais - Fotos

Família Abrindo os Comes e Bebes

Eu e Seu Gabriel, um Colega Escritor

Eu, Sil e a Mama

Mandy, eu e Victor

+ Luis Gustavo

Eu e Luis na Leitura Interpretada

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

10 Anos de Historia - Parte 6 - Recarregando as Baterias

Bom, amanhã é o grande dia... E neste último post da história de Gêmeos.Virtuais, eu vou tentar não me alongar, mesmo por que não há muito o que dizer. 2011 e 2012 foram dois anos muito pouco produtivos no campo literário, fui abandonando a escrita, os desenhos, até a música, mas em contra-partida, tomei as decisões mais importantes da minha vida.

Acabaram-se as coletâneas, os convites a palestrar foram diminuindo, minha gana para correr atrás da divulgação começou a minguar e se eu tivesse como pagar, eu contrataria um agente, para fazer a divulgação e me assessorar nesse trabalho. Felizmente a receptividade do livro sempre foi positiva, pois de outro modo eu teria desistido antes.

Para ser bem sincero, não me lembro direito do pouco que produzi em 2011, só lembro que algumas poesias apareceram. Foi um período em que eu abria meus documentos, lia... lia... e relia, mas não conseguia adicionar nada. Nem uma linha...

Eu havia me esgotado completamente, meu combustível havia acabado, minhas palavras se tornaram repetitivas, minha escrita estava viciada, pelo menos, eu via assim, não conseguia escrever uma frase que fosse que eu não tivesse a sensação de "déjà vu".

É o famoso bloqueio, pelo qual passam muitos escritores. No entanto, não era apenas isso nem a dificuldade de divulgar o livro que mais me desanimavam, era o fato de que eu vi os temas que eu havia "inventado" aparecerem com frequência em filmes ou em outros livros, que eu nunca havia visto, fossem eles antigos ou até lançamentos. Eu fiquei com a sensação de que as pessoas ia me acusar de plágio ou no mínimo dizer que eu tomei "tal obra" como referência, o que não era o caso, de modo algum.

Só pra vocês terem uma noção, meu "projeto secreto" tinha elementos que depois fui ver em filmes como "O Guia do Mochileiro das Galáxias", "A Ilha", "Cidade das Sombras" etc. E isso me incomodava profundamente. Eu sempre primei por tentar ser original, eu não aceitava que algo que eu pensei alguém já havia publicado.

Depois eu comecei a pensar que na verdade isso era um bom sinal! Que isso indicava que havia mais pessoas que pensavam como eu e que, como disse o grande poeta: "Arte é saber copiar".

Mas nada disso adiantou para conseguir voltar a escrever... Então, para recarregar as baterias eu decidi fazer a única coisa que poderia me enriquecer como escritor naquele momento... Ler. E até hoje, estou nessa jornada de leitura, e quantas coisas boas eu aprendi e descobri lendo grandes mestres como Julio Verne e cientistas como Richard Feynman.

Mas em 2012, além das poesias que continuaram aparecendo, eu tive a ideia de que não precisava me preocupar em vender os livros, eu poderia fazer uma campanha de trocas e doação. A campanha foi um sucesso. Perdi a conta de quantos livros doei e mais ainda de quantos recebi. Entre HQ's e Romances, acredito que passaram de uma centena. Doei todos e depois consegui mais, que estão guardados para a doação de amanhã.

No mesmo ano, após refletir muito sobre todas as coisas da minha vida, minha família, meus gostos pelas artes, meu trabalho como professor eu percebi que meu maior objetivo na vida era realmente estar em Sala de Aula, passando para meus alunos o que há de melhor em mim, tanto na Física, como no caráter. Descobri neles, um amor pelos jovens que eu mesmo não tinha por mim, nem pela juventude quando eu mesmo era adolescente. Notei que eu perdia muita energia tentando levar muito "à sério" minhas empreitadas artísticas, não por que não valesse a pena, mas pois elas me desviavam do meu real objetivo nessa vida, pelo menos, nesse momento: Ser Professor. Todas as outras coisas que amo fazer: desenhar, compor, escrever e, agora, dançar, deveriam ser apenas para suprir meu lado boêmio na vida.

Enfim, o mundo não acabou em 2012 (talvez já tivesse acabado antes...) e 2013 trouxe esta ótima oportunidade de festejar estes 10 anos de história, de mudanças, de esforços, de alegrias, de contentamentos, de oportunidades etc.

E amanhã, aguardo sua presença, às 15h30 na Biblioteca Municipal de Campinas. Muita luz para vocês e estou grato por todo apoio! ;)

domingo, 13 de outubro de 2013

10 Anos de Historia - Parte 5 - Atirando para Todo Lado

Em 2009 e 2010, minha dedicação foi em divulgar Gêmeos.Virtuais da melhor maneira que eu pudesse. Preparei um apêndice para o livro, um vídeo, participei do Prêmio São Paulo e finalmente elaborei uma palestra sobre a importância da literatura. Estando praticamente sozinho nessa empreitada, aos poucos eu fui conseguindo vários colaboradores.

Talvez eu não consiga colocar os fatos cronologicamente, então vou descrevê-los da maneira que melhor me lembro.

Todo início de ano minha irmã, que na época trabalhava na Komedi, me lembrava de que haveria mais uma coletânea. Dessa vez eu aproveitei um texto que contava a infância de Alef, que escrevi em em meados de 2007. Trata-se de um capítulo, que escrevi com muito carinho, mas era voltado para quem já havia lido o livro, pois, lê-lo antes de Gêmeos.Virtuais pode estragar algumas surpresas no enredo.

Então, com o YouTube em sua melhor forma eu decidi preparar um vídeo sobre o livro (um tipo trailer do livro) para ajudar na divulgação. Na edição figuravam cenas de guerra, fotos, partes de jogos e até alguns segundos de filmes. Por um tempo este vídeo me agradou muito, mas depois eu comecei a achá-lo um pouco inapropriado para a divulgação. Recentemente eu o removi do Internet, e não pretendo postá-lo novamente até ter uma melhor edição.

Em fevereiro um ótimo evento apareceu: o 1ºFILC (Festival Internacional da Leitura de Campinas) e Renata Sunega, por indicação de Rosângela Reis (da Coordenadoria Setorial de Bibliotecas de Campinas), me convidou a participar do evento com um bate-papo sobre literatura. O evento foi na Estação Cultura (antiga estação ferroviária) e foi um evento sensacional. Confesso não ter me preparado à altura do evento. Minha apresentação foi ótima, mas mais pela participação da platéia do que outra coisa. Sorteei alguns livros e fiz muitos contatos interessantes. Abriu-se uma porta magnífica para minha "carreira" como escritor.

Um poco depois foi minha vez de participar de uma outra coletânea, por coincidência também editada pela Komedi. Mais uma vez à convite da Coordenadora Rosângela, fui um dos escolhidos para o projeto "Encontro das Artes" de Renata Sunega e Hermélio Silva. O projeto consistia em uma mistura muito feliz de literatura (traduzida para Inglês e Espanhol) e fotografias da cidade de Campinas. Pelo espaço que me foi concedido escolhi uma poesia chamada "Quando Viajo à Noite".

Nesse meio tempo tomei conhecimento do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009, que continha duas categorias: Melhor Livro e Melhor Livro de Autor Estreante, ambos de 2008. Recebi o convite para a cerimônia de nomeação dos premiados, com direito à acompanhante.  O mais estranho é que eu não havia recebido nenhum comunicado de quem seriam os finalistas. Eles foram anunciados em um evento, mas eu não fiquei sabendo. Então, ainda na esperança cega de vencer (sei, parece uma piada patética) eu decidi ir. Precisei faltar ao trabalho e minha irmã se prontificou a me acompanhar (assim como a minha mãe, Ana Maria, minha irmã sempre me deu um apoio incondicional às minhas empreitadas literárias). O evento foi no Museu da Língua Portuguesa e parecia coisa de primeiro mundo. Bom, ao saber os finalistas fiquei um pouco revoltado, confesso, mas não foi nem pelo fato de não estar entre eles, mas foi pelo fato de que, entre os finalistas havia um livro cuja temática se assemelhava ao meu "GodBoy", que esteve em um concurso três anos antes. Não estou afirmando que me roubaram a ideia, de modo algum, mesmo porque, mais tarde fui notar que minha ideia não tinha nada de novo, Michael Ende já a havia usado em "A História sem Fim". No entanto, fiquei irritado por notar que eu estava alguns anos à frente de uma opinião favorável dos acadêmicos em literatura.

Ao final de 2009 foi meu último fôlego literário. Eu entrava no meu conhecido "bloqueio", muito conhecido entre os escritores. Meus últimos contos foram "Antes do Natal", inspirado pelo anúncio do "Projeto Natal" da Microsoft e "O Buraco nas Bermudas", inspirado nas teorias de John Hutchison sobre o "Triângulo das Bermudas". Eu também parava de escrever aquele meu "projeto secreto" no quarto livro sem ao menos terminar o segundo capítulo... Deixei apenas um arquivo com toda cronologia da série, um dicionário de um dialeto inventado e mais alguns arquivos de referência.

No entanto, em 2010 minha dedicação se voltou para outra direção: "Gêmeos.Virtuais: Ideia, Expressão, Leitura e Vocabulário", este é o nome da palestra que preparei para divulgar meu livro e reforçar a importância da literatura. Na palestra, com um tom cômico e de duração de aproximadamente 45min (em sua versão completa), eu contava um pouco da história que contei nessa última série de posts, sobre as influências que tive na escrita, sobre como eu passei a receber as críticas, como melhorei minha capacidade de leitura e como isso afetava minha conexão com o mundo através de um vocabulário mais rico e apropriado.

A palestra foi um sucesso. Apresentada pela primeira vez no 2ºFILC, para o qual tive novamente a honra de ser convidado. Depois ela foi apresentada no Poli-Bentinho, na FITEL (Fundação Instituto Tecnológico de Logística) e na Escola Estadual Prof. Antônio "Alves Aranha", onde meu pai, Alcínio (também sempre muito dedicado a me ajudar da divulgação do livro), ministra aulas. Nos anos seguintes, uma versão "mini" desta palestra foi apresentada em Convenções de Ficção-Científica da Base Estelar de Campinas, à convite de Walmir Martins por indicação de minha colega de dança Flamenca, Adriana Ruiz. Uma amostra desta palestra pode ser encontrada no Slideshare.net (Ap. GV Amostra).


No próximo post, a história vai chegando aos 10 anos, com a Parte 6 - Recarregando as Baterias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

10 Anos de Historia - Parte 4 - Tornando-se Real

Em 2007 uma série de decepções fizeram meus escritos divergirem uns dos outros. Ao mesmo tempo que eu me dedicava ao terceiro livro sci-fi daquele projeto ainda secreto, eu também me aventurava em contos mais realísticos, mais cotidianos, porém também um pouco absurdos e até revoltados... Foi nesse meio tempo que produzi um dos meus contos preferidos.

Comecei o ano publicando uma pequena crônica, sobre uma garota que conheci em uma longa viagem de ônibus. Até hoje tenho amigos que me perguntam: "E aquela moça do conto? Nunca mais falou com ela?". Infelizmente, a resposta ainda é uma negativa, não que hoje ela me faça falta, mas na época, achei que algo interessante poderia acontecer. Na verdade, eu queria ter publicado o "Un Real", mas por mais que eu cortasse palavras e trechos dispensáveis, eu não conseguia fazer caber no limite determinado para a coletânea. Isso foi quase motivo de briga entre irmãos por aqui... Mas no final, tudo deu certo, e fiquei muito contente com o resultado.

Fiz um sacrifício, e apesar de certamente ela ter me tomado por um tipo de louco, eu consegui entregar um exemplar a ela, antes que ela viajasse para a Europa e, após um breve e-mail, nunca mais nos falássemos...

Essa foi apenas uma das decepções... 2007 começou com uma avalanche de coisas desagradáveis em meio a mudanças muito importantes na minha vida. Eu já estava há um ano morando novamente com meus pais, estávamos para nos mudar, eu iniciava meu trabalho no Bentinho, mas ainda sofria os horrores do fim do meu relacionamento e os atropelos de quem tenta retomar a vida romântica.

Então, quando o ódio pelo mundo das "pessoas normais" chegou ao limite, quando eu estava a ponto de explodir, escrevi meu conto mais mundano, sarcástico, irônico, sínico, cético e tudo que há de amargo, ao mesmo tempo recheado de um humor de mal gosto que me ajudou a exorcizar todos aqueles demônios.
"Monge Francisco e seu MP3-Player" é um de meu conto favorito, que certamente seria tomado como extremamente ofensivo para a grande maioria das pessoas. Na época eu sofria muita influência de Gabriel Garcia Marques (um verdadeiro mestre, escritor de 100 Anos de Solidão) e também de vários filmes da onda "Quem vai ficar com Mary?". Dessa mistura surgiu a história de um "boyzinho" que resolve fugir de casa para virar monge franciscano, mas relutando a se libertar de seu Toca MP3...

Ao terminar o conto, a satisfação do meu trabalho me fez sentir muito melhor. Eu notei que não apenas tinha conseguido me expressar da maneira que eu queria, como também havia alcançado um novo nível em meu desenvolvimento como escritor. Seguro de que seria capaz de vencer, tornei a participar de vários concursos, até virtuais... Mas mais uma vez, sem alguma resposta favorável.

O ano se passou, e no início de 2008 eu novamente participei da Coletânea Komedi, agora novamente com poesias. Algumas delas, bem românticas, que haviam sido escritas no ano anterior. Esta eu presenteei a uma outra moça que por um tempo chamou minha atenção, principalmente pela sua beleza estonteante, pois silenciosa e reservada, mal consegui me aproximar dela nos anos em que compartilhamos o mesmo espaço. Se eu não tivesse me iludido tanto, diria que valeu à pena, apenas por observá-la de longe, pois ela era um colírio para os olhos. No entanto, nem as poesias foram capazes de despertar sua curiosidade por mim...

(Perdoe-me se aparece que vou passar o post todo me lamentando. Não é esse meu objetivo. É que não há como fazer uma retrospectiva desses 10 anos sem abrir um pouco meu coração, já que o trabalho de um escritor está intimamente associado às coisas que se sente e como se consegue expressá-las.)

A essa altura eu não tinha por certo que publicaria meu primeiro livro ainda naquele ano. A proposta veio de minha irmã, que ainda trabalhava na editora Komedi. Refletindo, eu fui me conformando de que não conseguiria espontaneamente que alguma editora decidisse publicar. O fato é, se eu quisesse meu livro publicado, eu teria que pagar. Outra análise que pesou na balança foi o fato de que meu livro já havia envelhecido cinco anos. Pensei que se eu deixasse passar mais tempo, minha história de 2003 já não faria mais sentido, por ter sido muito atual, e pouco atemporal, pelo menos, à primeira vista. Então, decidi pegar alguns reais que eu havia economizado e investir dessa produção.

Teste de Capa - Dentre os Rejeitados, meu preferido.
Em alguns meses, várias coisas tiveram que ser decididas: a fonte que seria usada, a cor do papel, o tipo de papel, se haveria desenhos nas páginas, se a capa seria colorida, se seria laminada ou fosca etc. Vários orçamentos foram feitos até que uma decisão final foi tomada e os trabalhos de revisão começaram.

Vou descrever aqui um pouco de como funciona o procedimento de publicação, e gostaria de dizer que fiquei extremamente contente com o trabalho da Editora Komedi, o Editor Sérgio Vale e toda equipe foram muito dedicados e fizeram um trabalho impecável.

Após enviado o original incia-se a primeira revisão. A "prova", como assim é chamada, é enviada a mim para eu verificar se tudo está nos conformes. Então ela vai e volta mais uma vez, para fechar a edição. É uma etapa muito importante, e nesse momento o autor não pode ter preguiça de reler toda obra para encontrar os erros, ou isso atrasa muito o trabalho da publicação. Fora isso é só esperar que tudo fique pronto. A editora normalmente faz os acordos de divulgação, distribuição, da noite de lançamento, fornece o champagne e até a impressão dos convites.

Meus quinze minutos de fama haviam chegado e eu os segurei da melhor maneira que pude. Comuniquei familiares, amigos e a mídia também foi contatada. A TVB veio fazer uma entrevista, que foi muito interessante (pena não ter passado na íntegra e eu também não tive a oportunidade de gravar). Saíram matérias nos jornais... Enfim, muitas coisas legais estavam acontecendo para me reanimar.

Lançamento na Livraria Cultura - Foto de Fabio Yamauti
Abaixo ficam as matérias que saíram nos jornais... Enquanto isso eu me preparo para a Parte 5 - Atirando para todo lado.

Diário do Povo
Correio Popular
ps - Acreditem, lá pelo início de 2009 eu vi - juro que vi - um monge franciscano andando pela rua mexendo em seu iPod!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

10 Anos de História - Parte 3 - Abraçando o Virtual

De 2005 para 2006 eu já havia escrito mais dois contos e retomava um grande projeto de 2001 - cuja ideia inicial veio de uma discussão para um trabalho de Introdução à Filosofia, virou um jogo de videogame abandonado pela metade para o RPGMaker - mas agora, na forma literária... Mas a essa altura eu já havia desistido de publicar qualquer coisa no mercado literário.

Dois dos meus contos preferidos eu terminei antes de 2007, são eles: "Video+Life", que é um tipo de conto de suspense, com elementos futurísticos e oníricos, que narra a obsessão de um rapaz com seu diário perdido e um reality show extremamente bizarro (entre outras coisas mais obscuras), e o outro é "Un Real", que conta a história de uma cédula desenhada por um grande pintor moribundo. É um tipo de humor ridículo e absurdo, que traz no fundo uma mensagem crítica.

Terminados estes contos, entre uma poesia e outra eu comecei a transformar em livro o jogo de videogame que eu sabia que nunca conseguiria terminar sozinho. Não foi (e não está sendo) uma tarefa fácil, conseguir traduzir a linguagem feita para jogos eletrônicos em páginas de um livro, tentando ao mesmo tempo ser fiel à ideia original, mas ainda ter a sensação de estar escrevendo um livro, e não apenas narrando algo que "aconteceria em um jogo". Até agora me lembro de estar escrevendo o primeiro paragrafo, ainda preso às imagens ao roteiro que eu mesmo havia criado no jogo, mas tentando ao máximo fazer uma adequação da linguagem e da narrativa.

Eu não quero entrar em muitos detalhes, e nem quero revelar o nome da história, pois ela ainda não está pronta, porém gostaria de adiantar que, assim como "A Canção do Mundo Caído", esta história ocorre no mesmo "universo" de Gêmeos.Virtuais e, por incrível que pareça, apesar dela ter surgido antes, não tive que fazer muito sacrifício para unir as pontas destas três histórias; as coisas foram se encaixando quase que naturalmente e, na verdade, me sobrou apenas o trabalho de conseguir colocar no papel.

Só gostaria de adicionar, para os curiosos, que este projeto (ainda em andamento) deverá possuir seis volumes, dos quais três já estão escritos. O primeiro tem o tamanho de Gêmeos.Virtuais, o segundo é um pouco menor e o terceiro tem o dobro do tamanho do segundo. Esse aumento foi proposital: antigamente eu escrevia quatro laudas por capítulo, era minha média, minha maneira de controlar o volume do trabalho final (não acho que devamos nos prender a isso, mas também não gosto muito quando vemos um livro onde um capítulo tem 10 páginas e o outro tem apenas uma, acho desmedido), porém, com o passar do tempo eu comecei ter a vontade de aprimorar minha habilidade de escrita, detalhar mais as cenas, saborear mais as palavras, então me determinei a escrever 8 páginas por lauda neste terceiro livro. Mas não vou me estender muito neste trabalho, pois já estaríamos entrando em 2007, e ainda estamos em 2005.

Pela primeira vez eu tentava um concurso. Enviei um original de "Godboy" para o "Prêmio Mário Quintana". Eu estava verto de que venceria, pois achava que o teor da minha obra era atrevido e original. Nesse meio tempo, algo novo aconteceu nessa minha vida de NERD: eu comecei a namorar. Também não quero entrar nos detalhes mas, pelo bem e pelo mal, essa relação mudou minha vida. Sofri muito, mas agradeço a Deus pela experiência, pelo aprendizado e pelos bons momentos - que infelizmente não pesaram o suficiente para manter a relação.

Neste período conflituoso eu a escrevi diversas poesias, mas quem já passou por um fim de relacionamento sabe o que é ter vontade de esquecer tudo; e cada palavra que eu dediquei a ela eu apaguei da existência. Não sobrou nenhum e-mail, nenhum arquivo, nenhum cd... E não me arrependo, apesar de saber que certamente foram as melhores poesias que eu já criei. Mas assim como uma mandala feita de areia, eu fiz questão de desmanchar todos versos e reafirmar a inconstância da vida.

No entanto minha produção em prosa decaiu muito... Eu já havia terminado o primeiro livro daquele grande projeto, havia começado o segundo, mas não conseguia dar continuidade. Por diversos motivos, a história que eu já havia pensado em 2001 se assemelhava com os eventos que iam se desenrolando na minha vida e isso me atormentava.

No início de 2006 eu participei da X Coletânea Komedi. Komedi é a editora onde trabalhava a minha irmã e pela primeira vez minhas palavras foram publicadas oficialmente. Escolhi 4 poesias e recebi um dúzia de exemplares para distribuir para os conhecidos. A experiência foi muito gratificante e eu aproveitei a oportunidade para divulgar o Gêmeos.Virtuais.

Após a negativa do concurso eu resolvi pegar meus livros e criar um selo independente, mas virtual! Abri uma página no extinto Geocities (da Yahoo!) e fundei o "Odacon137 - Selo Artesanal de Produções Literárias" (ou algo parecido). No site, que era leve para carregamento e tinha como imagem de fundo uma folha de papel amassada, havia uma explicação da minha ideia em publicar meus livros gratuitamente e minhas duas únicas obras completas a ponto de divulgar: "Gêmeos.Virtuais" e "Godboy - O Garoto Deus", ambas na íntegra, postadas em capítulos, para fácil navegação.

Na época eu estava completamente desiludido com o mercado literário e via como uma coisa negativa publicar meu livro e ter que acabar fazendo pessoas engoli-lo. Via-me competindo com autores de nome de modo que eu nunca encontraria meu espaço... Lembro-me até hoje de uma imagem que criei para meu selo independente: "Era como ter uma humilde barraca de artesanato em uma grande e complexa feira, seria difícil de encontra-la, mas aqueles que viessem a conseguir, talvez se sentissem satisfeitos com os produtos".

Enfim, precisei de quase 2 anos para digerir tudo isso e finalmente decidir publicar. É que eu nunca imaginaria que conseguiria economizar dinheiro para poder realizar este sonho por mim mesmo.

No final de 2006, eu já estava com essas duas obras registradas na biblioteca nacional, cuidava do meu "Selo" independente com carinho e terminava o segundo livro daquele projeto vagarosamente, mas 2007 e 2008 reservavam algumas outras surpresas para mim... Na parte 4, veremos: Tornando-se Real.