sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Aparecendo na Web

Vira e mexe eu escrevo meu nome no Google para ver o que aparece, normalmente encontro sempre as mesmas coisas, mas desta vez, encontrei isso... Como não há muitos dados, não dá pra saber direito, mas acredito que foi postado pela moça que ganhou meu livro, no evento que divulguei no post anterior.

Acessem:

Scoop.It
http://www.scoop.it/t/ficcao-cientifica-literaria?tag=autores%3A+Jos%C3%A9+Raphael+Daher

Aí escrevi Gêmeos.Virtuais, e achei isto:

Livraria Virtual:
http://livraria-virtual.blogspot.com.br/2011/07/gemeos-virtuais.html
(este blog fez um post divulgando meu trailer do livro)

Google Books:
http://books.google.com.br/books?id=H_2HPgAACAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s
(eu já havia achado, e nem lembrava... tem até uma resenha minha, mas ainda não colocaram a capa do livro, e eu entrei em contato com a Google já faz um tempão).

Gêmeos Virtuais no Mundo Real
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI3160017-EI1827,00-Gemeos+virtuais+mostram+que+natureza+e+mais+forte+que+criacao.html
(esta matéria eu já conhecia a algum tempo, mas achei interessante postá-la agora, já que apareceu na pesquisa -como sempre)

Abs!

(e bom fim de fim do mundo)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Evento Sci-Fi

          Olá gente, este post é curto. Só para postar duas fotos de um evento Sci-Fi que aconteceu aqui em Campinas, no CCLA recentemente.
          Lá pude apresentar um pouco sobre meu livro e passei o "trailer" que está disponível no YouTube.
          Além de poder assisti alguns episódios de StarTrek, um feio por fãs, outro do Deep Space 9 e mais 3 do Battle Star Galactica... Ainda teve vários quiz, um deles sobre filmes Sci-Fi, realizado dentro de uma ótima apresentação feita por Adriana Ruiz, companheira de dança flamenca que me convidou para o evento e conseguiu um espacinho para minha apresentação.

Os participantes e organizadores

A ganhadora no sorteio do meu livro

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sincronismo.Virtual em ano Político

"Qual é a profissão de todos senadores e congressistas?
Direito, direito, direito, empresariado, direito, direito...
Onde estão os cientistas? Onde estão os engenheiros?
Onde está o resto da... Vida?"
Em um ano político em muitos países do mundo, mais pessoas começam a se perguntar o óbvio: "Quem são nossos Políticos?"

Com a permissão dos Internautas, empresto esta imagem que foi postada no g+ por uma amiga minha do Quebec. Eles também estão em processo de eleições e ela parece bem engajada em exercer sua parte da democracia. Acho louvável, mas eu infelizmente já perdi as esperanças de que meu voto pode fazer diferença:

Já me convenci de que eleitores são massa de manobra de 2 em 2 anos para trocar (ou não) os grupos mafiosos que governam as cidades, estados e países.

Todo ano eles fazem um teatro com CPI´s, a mídia nos presenteia com uma avalanche de notícias, também tenta desviar nossa atenção, falam de termos novos, explicam novos tipos de roubo enquanto no Planalto gastam-se milhões para que um bando de engomados fiquem horas e horas discutindo quem vai ou não ser o bode expiatório da vez. "Ok, tô acreditando que os Tubarões estão em julgamento".

Por que eu estou usando o blog do meu livro para falar sobre eleições?

Se vocês leram meu livro, devem ter notado um teor levemente geopolítico/diplomático na trama. Conspirações, interesses militares etc. Mas este é um motivo fraco. O que realmente me fez parar um pouco meu trabalho de professor em casa foi ter visto esta imagem acima e lembrar que eu havia pensado na mesma coisa um dia antes.

Ontem mesmo eu estava refletindo durante minha caminhada de volta da escola, pois no dia anterior eu havia lido rapidamente um panfleto de um candidato a prefeito de Campinas (cidade que recentemente passou por um dos maiores escândalos de corrupção do país e para mim foi uma grande decepção, pois eu nunca imaginava que aquele prefeito seria capaz de se envolver com este tipo de coisa, inocência, eu sei). E entre meus pensamentos, surgiu uma ideia, ao lembrar do "Projeto Vênus":

"Como pode ser que (quase) todos os políticos no mundo sejam da área de Direito e Negócios? Quem deveria "reger" o mundo, são os cientistas, aliás, os melhores cientistas. Aqueles que não apenas entendem como funciona a natureza física e humana, mas que sabem como e querem construir um mundo melhor".

Eu sei, parece uma visão muito romântica da coisa, ainda mais sabendo que um dos políticos criminosos mais procurados do mundo se formou em Engenharia.

Ao ver a imagem acima, eu notei que mais pessoas estão se tocando do óbvio:

AS PESSOAS ERRADAS ESTÃO NO PODER!

Não quero afirmar que todos os cientistas são boas pessoas, mas no Brasil, os que se engajam na política são "advogados", médicos" ou "palhaços em geral".

E, com todo respeito aos bons profissionais destas duas primeiras áreas, ultimamente eu tenho recebido informações ultrajantes sobre estas profissões que eu penso:

"Que tipo de pessoa está tentando ser um homem da lei ou um homem da saúde?"

Pessoas corruptas, que foram criadas em um berço no qual o único objetivo da vida é ter prazer, ter dinheiro, estar acima dos outros, ter sucesso, e todas essas porcarias que a gente vê em toda maldita novela das 8.

Acredito que não temos muitos políticos cientistas, pois a grande maioria deles pensa como eu:

"Vou fazer mais pelo mundo sendo bom em minha profissão".

Agora, espera um momento... Se todas as pessoas fizessem isso, será que precisaríamos de tantos cargos políticos como temos hoje? Desse verdadeiro cabide de empregos nos quais muitos passam a maior parte do ano simplesmente ganhando sem fazer nada de útil? Aliás, se as pessoas fossem bem educadas, será que precisaríamos de políticos? De governantes, afinal?

Podem me chamar do que quiserem. Mas que acredito que há uma maneira mais simples de governar cidades, estados e países. Todo mundo já sabe como é, os políticos prometem isso durante alguns meses e esquecem durante 4 (ou mais) anos.

Por isso eu já sei em quem vou votar nessas e em todas as futuras eleições, para saber é só fazer a seguinte conta abaixo:

Voto de J.R.Daher =
sobre um corpo com v = cte.

E então, caros políticos? Conseguem descobrir em quem eu vou votar?
Aposto que alguns cientistas sabem.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mais uma Apresentação...

Depois de muito tempo, consegui apresentar mais uma vez a Palestra: Gêmeos.Virtuais, Ideia, Expressão, Leitura e Vocabulário. Foi meu pai quem me deu uma ajuda e conseguiu agendar em sua escola.

Apresentei para os professores da Escola Alves Aranha (Valinhos-SP) e foi muito legal, apesar de eu já estar um pouco enferrujado, pois fazia praticamente um ano que eu não a apresentava.

O pessoal gostou muito, e agradeço a todos, a direção, coordenação e corpo docente e, logicamente, meu querido pai.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fim de Semestre...

morguefile.com
Este ano está passando com um fluxo temporal não definido. No começo pareceu que o tempo estava largo, haviam muitos projetos e tempo sobrava para fazer muita coisa e mesmo assim eu terminei o primeiro bimestre completamente louco.

No segundo semestre o tempo fluiu de maneira senoidal, chega o inverno, me consome uma energia - física e mental - lascada (na falta de termo mais apropriado). Mas estou vencendo-o, com o serviço bem adiantado, apesar de que o "pior" ainda está por vir... Em termos de frio.

E com o início do Inverno também vem a hibernação da escrita.

Já faz alguns meses que não escrevo nada, mas o bom é que, com a resolução que tomei em minha vida de dedicar a maior parte do meu tempo para minha função de professor (pela qual estou cada vez mais encantado) eu não estou muito preocupado com este pequeno bloqueio.

Deixemos a coisa fluir, seguindo o ritmo das estações e, já desejo BOAS FÉRIAS ESCOLARES a todos (adiantadamente).

segunda-feira, 4 de junho de 2012

World Wide Wisdom - Parte 2

morguefile.com
No primeiro post desta série, eu falei um pouco sobre a propriedade das nossas ideias, ou melhor, sobre a NÃO-propriedade e terminei dizendo que aquela ideia que eu tive e dias depois o Google lançou como uma nova possibilidade na pesquisa, eu tinha tido havia 2 anos, e não apenas 50 dias e ela já estava lá, há muito tempo, rondando na Internet e e-mails e em Nuvens.

Dou continuidade a esta séria, mostrando o esquema que desenvolvi para explicar, no contexto da apresentação, a importância de um extenso e variado vocabulário para que as pessoas tivessem uma capacidade de leitura, compreensão e expressão mais amplas e precisas também. Segue abaixo um recorte do slide onde eu explico minha visão (bem resumida) do funcionamento cerebral em função das palavras.

Recorte de um Modelo Cerebral para a Relação entre os Vocábulos

Como vocês podem facilmente notar, o esquema é muito parecido com o da "Árvore do Conhecimento" que publiquei no primeiro post desta série. Ele mostra as interconexões que vão surgindo no cérebro de um bebê, desde a palavra mãe, depois fome, dor, amigos, educação, tolerância e trabalho (nesta ordem, quando visto de forma animada).

Com este esquema eu procurava convencer os espectadores da importância da leitura para enriquecer este vocabulário mental de modo a aumentar cada vez mais a quantidade de CONEXÕES entre as palavras e assim obrigando o cérebro a estar sempre exercitado, com suas partes muito mais interconectadas, com mais caminhos alternativos para seguir tendo assim, certamente, uma mente mais saudável, mais flexível e capaz de aprender.

Pouco tempo depois eu tive uma evidência de que estava no caminho certo, pois cientistas estavam divulgando um experimento feito com freiras que doariam seus cérebros após a morte para estudos sobre o Mal de Alzheimer. As freiras que morreram com sintomas do Mal também eram aquelas que quando jovens demonstraram uma capacidade menor nas habilidades linguísticas numa redação feita aos 22 anos de idade, décadas antes de morrer. Ver artigo da Superinteressante (logo no fim, A Prova que veio das Freiras).

Enfim, o vocabulário, como parte das habilidades linguísticas certamente influencia na sua saúde cerebral, por isso, devemos ler sempre!

Para finalizar, é lógico que eu não fui o único nem o primeiro a pensar nessas coisas. Como muitos comentaram a ver meu post no Plus, "Organogramas" do conhecimento são recursos antigos e realmente devem ser, porém só hoje eles podem ser feitos de maneira dinâmica e serem mais fáceis de usar e alimentar.

Quem quiser conhecer uma amostra da apresentação, segue uma versão do SlideShare:

Apresentação Gêmeos.Virtuais Amostra
View another webinar from José Raphael Daher

Também há uma versão no YouTube.

domingo, 27 de maio de 2012

O Anime de Gêmeos.Virtuais!

Clique: Gêmeos.Virtuais para acessar a arte na galeria do devianART.

     Acredito que um dos primeiros a ler a primeira versão completa de Gêmeos.Virtuais foi meu grande amigo Fábio Yamauti. Ele leu na tela do PC mesmo, em mais ou menos 2 horas, ainda em 2003, logo após eu terminar de escrever. Ao terminar ele me disse: "Cara, isso tinha que virar um anime".
     Não foi só ele quem teve essa ideia, taí o poster acima que não me deixa mentir...
     Só o fato de que é um "fake".
     É, por enquanto fica apenas na ideia. A arte final foi feita por uma ex-aluna minha, Amanda Yoshiizumi (pintura) e desenho de Guilherme Vitorino.
     Este cartaz é na verdade um trabalho de faculdade para uma revista fictícia que tem que ter a propaganda de uma animação.
     Amanda me enviou uma mensagem pelo Facebook, pedindo permissão para utilizar a temática do livro para o cartaz. Lógico que aceitei na hora; adorei a ideia.
     Sem contar que logo nos primeiros rascunhos eu fiquei super animado, babando... Pensei: "Nem mesmo meus desenhos ficaram tão bons". Não que eu seja um ÓTIMO desenhista, mas sou o autor e desenho também. É de se esperar que algo legal saia dessa mistura. Na verdade nunca fiz muitos desenhos temáticos do livro, apenas o da capa e um mais antigo que representa (mais ou menos) a mesma passagem do cartaz acima. Só que minha arte original é muito mais "spoiler", enquanto a arte de Guilherme e Amanda está mais para uma representação da ideia, ao meu ver.
     De qualquer modo, acho que não tenho como agradecê-la o suficiente por ter tido esta iniciativa, mas de qualquer modo:

     "Amanda, e Guilherme, estou muito grato por esta homenagem! Sucesso para vocês!"

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Anos.Virtuais

morguefile.com
Hoje eu completo 35 anos.

12 anos dormindo
19 anos no mundo real
  4 anos no mundo virtual

Fiz uma conta aproximada, levando em conta que passamos aproximadamente 1/3 de nossos dias dormindo e 2/3 acordados. No entanto desde os 8 anos de idade, quando apareceu o Atari em minha vida, eu acho que pelo menos 4 horas diárias eu vivi num mundo virtual. Primeiro nos Videogames e depois na Internet.

Não é à toa que "O Virtual" sempre me chamou muita atenção, assim como o fantástico e o impossível.

E ao mesmo tempo que sou um entusiasta assumido das novidades tecnológicas que permitem ao ser humano estar cada vez mais em contato com este mundo eletrônico, eu me preocupo, pois se para mim (um ser do século passado) quase 12% da vida foi dedicada a um universo virtual, as pessoas de agora e do futuro certamente estarão destinadas (ou condenadas) a viver uma porcentagem ainda maior neste mundo que não é real.

Pois hoje a Internet, os Jogos Eletrônicos e a Conectividade podem nos acompanha a (quase) todo instante. Os tablets e celulares (e até os consoles portáteis) nos permitem estar em contato com o conteúdo eletrônico praticamente em qualquer lugar e... Se não estivermos conectados, certamente estaremos preocupados com isso e, de certo modo, ainda estaremos "vivendo nele", pois não conseguiremos nos desligar totalmente em nossa ansiedade.

Para finalizar, só mais alguns números:

Imaginando que uma criança hoje comece a utilizar Interfaces Eletrônicas (Ipads, videogames, celulares etc) já com 2 anos (para chutar alto) e imaginando que o uso destes equipamentos já alcance 5 (ou talvez) 6 horas diárias em média...

Daqui 35 anos, um recém-nascido de hoje terá vivido 6 anos ou mais neste mundo virtual.
(17% do seu tempo de vida. E esta proporção só tende a crescer, dado os avanços tecnológicos progressivos)

E ainda considero esta previsão muito modesta, pois acredito que existam pessoas que passem talvez até 10 horas (das suas 18 de vigília) conectados sejam nos PC´s, nos Tablets, nos Celulares, nos MP3 players, nos Videogames ou até mesmo, na Televisão.

O Mundo Virtual está expandindo, em uma era em que muitos se convencem de que alguma grande mudança está para ocorrer. Sei que esta expansão ainda não dá sinais de ser saudável para ninguém, mas quem sabe este não seja apenas um primeiro passo para um mundo no qual as pessoas se tornem menos apegadas ao Mundo Material?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

World Wide Wisdom - Parte 1

morguefile.com
"Dai de graça o que de graça recebestes"
Jesus, o Cristo (Segundo Mateus 10:8)

Inicio este post com esta frase que para mim exprime o que penso há muito tempo e o que tenho pensado intensamente desde ontem, quando vi a notícia sobre o "Gráfico do Conhecimento" da Google.

E penso nisso por vários e vários motivos, mas o primeiro deles (mas não o mais importante) é que, desde minha primeira conta no Hotmail (quando ainda nem era da Microsoft) eu venho utilizando (como a grande maioria, acredito), serviços de Internet gratuitos (ou melhor, sem mensalidade, pois lógico que as empresas recebem seu dinheiro de campanhas publicitárias etc.). A partir do momento que me convenci que o GMail era superior, eu passei a utilizá-lo e logo depois uma outra gama de serviços fornecidos pela Google, também gratuitamente. Sem contar que vários outros serviços que eu tinha foram encampados pela Google, como Picasa e o próprio Blogger. E deste então eu me tornei um fã da Google, que sempre aprimora seus produtos de maneira muito útil, e também sempre cria novos produtos que se mostram cada dia mais indispensáveis para o usuário de Internet.

Mas esse não é o ponto principal deste post. O fato é que eu fiquei eufórico depois do ocorrido e mal consigo pensar em outra coisa. Simplesmente acordei às 4h da manhã e só não vim para o PC antes pois precisava guardar meu sono para mais uma jornada de trabalho, mas não consegui voltar a dormir. Fiquei pensando e pensando, gravando ideias no meu celular de 15 em 15 minutos, para este mesmo post. Entre meus pensamentos estavam ao mesmo tempo ideias megalomaníacas de que a notícia repercutisse de tal modo que se gerassem processos e interesses de oportunistas e além de ter minha conta Google obliterada e tudo apagado eu ainda seria ridicularizado por supostamente ter sugerido que haviam roubado minha ideia. E, menos triste, imaginei que tudo isso mal sairia do meu círculo de amigos e que daqui um mês ninguém mais se lembraria.

Nessa "vibe" megalomaníaca pensei, ainda deitado na cama que o rascunho que fiz da "Árvore do Conhecimento" está gravado na pasta "Finanças" do Google, "Nossa, como isso pegaria mal". Sugerindo a ideia de que meu objetivo seria lucrar com isso. Lógico que se esse projeto me rendesse algum dinheiro, não seria nada mal, mas o verdadeiro motivo do desenho estar lá era porque eu estava convencido que certamente teria que PAGAR alguém para programar a página em "flash" da "Árvore" como eu a tinha em mente.

Em minha mente, este post seria ainda maior. Eu queria listar todas minhas ideias que estavam em ressonância com tecnologias e histórias que estavam sendo (ou já haviam sido) desenvolvidas sem meu conhecimento - como também já aconteceu com vários amigos meus. E o pensamento inicial sempre é: "Ah, se eu tivesse registrado esta ideia eu estaria rico". É aí que entra o objetivo deste post (também para eu poder terminá-lo e tomar meu café da manhã e ir trabalhar).

Quem disse que somos DONOS das ideias que surgem em nossa mente?
Quem disse que temos o direito de cobrar por elas?

O conceito de "Direito Autoral" sempre me foi desconfortável. Sim, é o autor de um livro dizendo isso. Ah, você não concorda concorda comigo? Então vamos conversar sobre PROPRIEDADE.

Há bilhões de anos atrás ocorreu o chamado "Big Bang", uma quantidade exorbitante de energia foi criada "do nada", ou por uma outra entidade que muito provavelmente não é nenhum dos seres viventes aqui na Terra ou em outro lugar. Uma parte infinitamente pequena desta energia deu origem ao mundo em que vivemos e uma parte ainda menor deu origem a você. E uma parte muito, mas muito menor lhe colocou uma certa ideia na cabeça. Agora me responda:

Quando você pagou por essa ideia?

Nunca... Foi lhe dada de graça, por um "Influxo Cósmico", por uma "mente" certamente bilhões de vezes maior que a sua. Aliás, nem lhe foi dada; nada é dado neste mundo. Tudo é emprestado, visto que cedo ou tarde teremos de devolver tudo o que achamos que temos: nossas "posses", nosso dinheiro, nosso corpo e até nossas ideias. Acredito que até elas um dia vão se aglomerar num provável "Big Crush", nem que ele aconteça de forma etérica, para não entrar em confronto com a astrofísica atual.

E para finalizar, mesmo se (nesse surto megalomaníaco) algum advogado oportunista dissesse pra mim: "Você tem provas de que a ideia foi sua, podemos faturar milhões com isso", eu simplesmente responderia: "O objetivo das ideias que surgem em minha mente é serem bem utilizadas, que sejam uteis para a humanidade, por mais humildes que sejam. O máximo que eu gostaria é poder trabalhar com ideias, pois elas surgem aos montes aqui".

Ah, sem contar que um projeto que me custaria no mínimo algumas centenas de reais e alguns anos de trabalho, acabou saindo do forno em 50 dias e... DE GRAÇA!

...

"Mas Raphael", refleti eu ainda ressonando, "Você não teve esta ideia há 50 dias atrás... Você a teve há 2 anos, na palestra que você fez para divulgar "Gêmeos.Virtuais"! Porém, nem você havia notado".

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sonhos.Virtuais

Há uns 50 dias eu tive uma ideia, que julguei ser boa. Fazendo um organograma para meus alunos de Radiologia, eu notei o quanto seria interessante se pudéssemos fazer um organograma de TUDO. Um organograma que "linkasse" todas as palavras existentes no vocabulário humano de maneira que as pessoas pudessem entender as interrelações e etimologias. Rapidamente ideia toda já estava pronta na minha cabeça.

Troquei alguns e-mails com colegas, mas além de nenhum botar tanta fé no projeto como eu (um até me disse "Será que a Google já não faz isso?"... Mmmm Pensamento Apropriado), não achei ninguém que pudesse fazer a programação para mim.

Mas, além da ideia, já registrada em e-mails (do GMail) eu fiz um desenho, um rascunho, em minha conta do Google Docs. Vejam o primeiro e-mail que enviei e o rascunho do desenho:

E-mail, enviado em 28 de março de 2012

Rascunho da "Árvore do Conhecimento", feito há 48 dias

Agora, vejam só o que apareceu no meu Google Plus hoje (clique no link):


E vejam também o vídeo, só a primeira imagem já me deixou todo arrepiado.


Vídeo do Gráfico do Conhecimento

Ao ver isso... Minha espinha gelou, gritei para minha mãe: "MÃE! Vem ver! O Google fez o que eu tinha pensado."
Na hora ela disse: "Você fez na Internet? Será que eles não roubaram sua ideia?"
Respondi: "Não é impossível, mas... Foi tão rápido! Não daria tempo"
E ela disse: "É, mas eles tem muito mais recursos, não é?"

Ainda não estão acreditando? Nem com a participação da minha Santa Mamãe na história? Então vejam mais estas, digamos, evidências:

Arquivo na Pasta do Google Docs, veja a data da última edição à direita.

Arquivo aberto no Chrome, atenção às datas.

Na verdade eu não afirmo nada. E sinceramente não me importo com isso. O interessante é saber que a minha ideia estava sendo compartilhada seja no imaginário coletivo seja no mundo virtual, por outras mentes, e mentes CAPAZES de realizar o que eu pensei. E outra, não faria nem sentido eu me sentir DONO desta ideia. Para mim, o conhecimento e a cultura são um "Patrimônio da Humanidade".

Vejam a resposta que eu postei na própria publicação da Google (que já ganhou um +1).

Postagem da Google no Plus e minha resposta, em inglês.

Bom, pessoal, de qualquer modo é muito bom saber que minha ideias não são de "jerico".

ps - de acordo com que procurei, "jerico" no nordeste é mula.

ps2 - http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/google-adiciona-novo-recurso-para-ficar-ainda-mais-inteligente-nas-buscas
http://googlediscovery.com/2012/05/16/google-anuncia-grafo-do-conhecimento/
Lucas Guima que me passou estes links pelo Face. Valeu!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fim de bimestre e outras coisas...

morguefile.com
Recentemente eu estive postando várias vezes neste blog, mas não apenas devido à loucura de fim de bimestre, eu diminuí o ritmo e dei uma trégua para meus escritos.

Nesse meio tempo eu estava preparando uma Amostra do livro Gêmeos.Virtuais (para o publicar no ISSUU), mas ao terminá-la... É, não funcionou muito bem como o esperado, digo, a formatação não ficou como eu esperava. Aí eu desisti por um tempo e vou tentar outras estratégias.

Mas tenho ótimas notícias: uma ex-aluna (uma pessoa muito querida), cuja identidade revelo no momento devido, está trabalhando num projeto da faculdade de montar uma revista com algumas matérias fictícias, entre elas uma que para mim foi uma surpresa muito boa e acho que vocês também vão gostar, apesar de ser "de faz de conta".

Quando tudo estiver pronto, eu compartilho com vocês!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Arte de Subsistência (ou Narcisismo?)

A Flor Narciso
(morguefile.com)
Alguém criticaria um agricultor que planta apenas para o consumo de sua própria família? O que faz ele além de utilizar os elementos da natureza e a técnica que aprendeu ou desenvolveu para alimentar o corpo... Adicionando um pouco de requinte: Criticaria você um chef de cozinha por se deliciar várias e várias vezes com seu prato preferido feito por ele mesmo? E se pensássemos em um outro tipo de subsistência, um alimento para a Alma?

Hoje me peguei, como muitas vezes, escutando as músicas eletrônicas que componho (estas em particular, no Rytmik, um "jogo" do Nintendo DSi). Várias vezes me pego escutando meus Toscovoices, passei meses escutando as composições do Motsicale e até outras ainda mais antigas que eu fiz.

Gosto de ver e rever os vídeos que editei das viagens com meus amigos aqui de Campinas ou da época da faculdade, ou os aniversários e diversas outras produções caseiras com as quais me divirto absurdamente.

Também me flagro revendo meus próprios desenhos, seja no DeviantArt ou no PicasaWeb, ou nas minhas pastas perdidas nos armários.

Logicamente me pego lendo e relendo meus próprios textos, rindo sozinho das bobagens ou piadas que escrevi ou às vezes remoendo dores exorcizadas numa poesia ou em uma carta nunca entregue.

Muitas vezes pensei: "Nossa, eu sou muito narcisista".

Para quem não sabe, Narciso faz parte da mitologia Grega, é dito que ele era tão lindo, que ele mesmo se achava bonito demais, e se apaixonou por si mesmo, de modo que seu desejo de se beijar era tão grande que ao tentar abraçar seu próprio reflexo na água, acabou caindo e se afogando. Como curiosidade, cabe dizer que a palavra Narcótico (drogas ou entorpecentes) vem de Narciso, ou seja, um tipo de "Paixão que só leva à Morte".

Mas hoje me convenço de que é menos narcisismo do que subsistência.

Há quem goste de fazer as refeições fora de casa com muita frequência e há aqueles que preferem fazer sua própria comida. Há aqueles que ouvem as músicas dos outros e há aqueles que compõem sua própria música. Há também os compõem apenas para os outros... E às vezes, nem gosta do que produziu, como alguns chefs que são vegetarianos e por necessidade acabam indo trabalhar em uma churrascaria... Que remédio?

Eu diria que sou daqueles que gosta das duas coisas: de consumir a arte produzida por outrem e consumir da minha própria arte também.

E quantas coisas não produzi que são apenas para mim?
Arte de pura subsistência, que será consumida apenas por mim e nunca será comercializada.

Acho que todos nós deveríamos, vez ou outra tentar alimentar a alma com nossa própria arte, acho que, se não tender para o narcisismo, é uma boa (talvez ótima) maneira de trilhar um autoconhecimento.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pouco mais de 5min de "update"

Âmbar (ou Élektron)
morguefile.com
Eu queria postar algo breve e acabei abrindo a amostra de Gêmeos.Virtuais que estou editando, dei uma olhada rápida, olhei para o relógio e pensei: "Cinco minutos, apenas cinco minutos para eu atualizar alguma coisa no blog"... Eu estava com muita vontade de escrever, mas sem saber o quê. Então eu olhei a última pagina da amostra e vi o nome do "selo" que estou querendo inventar para publicar meus livros online. Ainda tinha a palavra ODACON, que eu adoro, pois significa Dagon, que é um personagem mítico da Suméria antiga, que seria como um Deus-Peixe (muitas vezes mal interpretado como um monstro em outras culturas), mas que dizem ter sido responsável por trazer muito conhecimento a este povo, como um messias. E acho muito curioso o fato de que Jesus O Cristo é sempre associado à figura de um peixe, por vários motivos. Assim, meu pé já estava fincado no nome ODACON, há muito tempo. Aí eu acrescentei o nome LIBER, que em algumas línguas significa livro, ou livre e em português lembra liberdade. Achei apropriado, já que meus livros estarão livres ("free", ou de graça para acesso virtual). Mas apenas, ODACON LIBER (ou ODACON LIVRE, que também foi uma opção) ainda deixava algo no ar. Eu queria inserir a palavra virtual ou eletrônico (ou "net" ou "web"), já que o meio de publicação é Internet... Aí pensei numa palavra que adoro: ÉLEKTRON, que vem do Grego antigo e significa Âmbar; uma resina solidificada com a qual Tales de Mileto pode "descobrir" a eletricidade. Aí eu juntei as três palavras:

ODACON LIBER ÉLEKTRON

E eu logo pensei em uma sigla, para futuramente fazer um logo e formou-se a palavra:

OLÉ

Uma palavra muito conhecida, principalmente pelos torcedores de futebol, de tourada e muito presente na dança flamenca. Olé! Nós gritamos quando algo nos surpreende! Quando estamos empolgados, algo bom acontece, algo agradável, algo esperado. Recentemente ouvi dizer que a palavra Olé, tem origem no termo árabe: Alá (Allah), que é nada menos que DEUS, como o sufixo EL (parecido com Alá), que está presente nos nomes de alguns anjos, como Miguel: aquele que é igual a - ou se parece com - Deus (Micha-El).

É bem provável que seja este mesmo o nome que eu vá utilizar, significando algo como: ODACON - Livros Eletrônicos, mas estando subentendido na palavra LIBER o termo LIVRE, assim temos LIVROS LIVRES, ou seja: de acesso livre para leitura eletrônica.

Para os curiosos, aí vão as referências:
  • Elizabeth Gilbert (que fala muito bem sobre literatura, criatividade e vida também)
  • TED TalksVídeo - Há legendas em português para este vídeo. A parte sobre o Olé-Alá fica quase no fim.
  • Blog sobre o tema (em inglês): Alla to Ole
  • Dicionário Informal: Olé
  • Wikipédia: Alá (Utilização Pré-Islâmica)
ps - Essa brincadeira durou MUITO MAIS que 5 minutos...

ps2 - Não é interessante que o Superman (Clark Kent) na verdade se chame Kal-El?

terça-feira, 27 de março de 2012

Degustação

Dá água na boca, não é?
morguefile.com
Quem não gosta de uma amostra grátis? Adoro quando chego no portão do colégio e tem alguém distribuindo desodorantes, barbeador, escova de dentes e tudo mais.

Sabendo disso (e imaginando que mais gente pensa como eu), estou preparando uma amostra, ou uma degustação (como os literatos e "cults" gostam de falar) do livro Gêmeos.Virtuais para aqueles que ainda não leram, nunca ouviram falar ou não acreditaram nos comentários certamente magníficos (ãh-ram ;P) daqueles que já leram.

É também uma maneira de eu ir treinando minhas habilidades de editoração de texto, formatação, inserção de imagens, capa, folha de rosto, contra capa, editorial etc.

Esta amostra (1) conterá o Prelúdio e o Primeiro Capítulo, e é possível que com o tempo, eu lance outras amostras.

A minha ideia é que a pessoa lendo esta dúzia de páginas, acabe ficando curiosa e acabe comprando, ou melhor, participando da Campanha de Troca e Doação que iniciei em 2011, que na verdade, acho muito mais interessante do que receber um valor em dinheiro.

Aliás, neste ano a campanha já deu seus primeiros passos, dois alunos já me trouxeram livros, um deles pediu 4 exemplares, mas me trouxe uns 20 em troca! - Ficou com crédito a retirar em Gêmeos.Virtuais.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Publicações.Virtuais - Nada mais apropriado!

e-Book Reader (Leitor de Livros Eletrônicos)
morguefile.com
Bom, Gêmeos.Virtuais, Realidade Virtual, Internet, Compras Virtuais, Vida Virtual, Correio Eletrônico, Endereço Eletrônico, Sítios (Sites) Virtuais etc. Hoje em dia grande parte da nossa vida existe apenas em meio eletrônico, pense apenas em UMA coisa muito importante: sua conta bancária. Se vier um grande "blackout" (odeio o termo nacional APAGÃO, no Brasil, tudo tem que ter ÃO no final... É horrível. E o pior é que no Francês o equivalente, ON, é tão mais chique... Ok, voltando ao assunto...), então, se vier esta pane elétrica, uma que dure alguns dias, a economia mundial vai pro buraco, juntamente com outros desastres e barbáries que vão suceder a isso.

Num mundo onde tudo se torna menos material (ainda bem, quem sabe isso acaba abrindo as portas para um mundo menos ... materialista... Será?), menos real e mais virtual, num mundo onde o meio ambiente é a grande vítima (e nós mais vítimas ainda por consequência) a economia de papel é uma coisa interessante. Lógico que acessar a Internet gasta energia, para se manter os servidores, os provedores, as antenas, o tráfego informações (kbps) e os PC´s funcionando, porém, creio que é uma energia direcionada e prática: se alguém quer ler um livro, existe apenas um  (ou poucos arquivos) que será acessado; a pessoa baixa o documento (mesmo que não a pessoa salve, o navegador tem que baixar o arquivo numa pasta temporária) e lê quando quiser. Assim, o gasto de energia tanto para "subir" o arquivo, quanto para baixá-lo está vinculada a alguns acessos, cada vez mais rápido que despendem cada vez menos energia...

Agora, se você publica um livro em papel, com uma capa bonita etc. Aí a coisa muda de figura, como já expliquei num post anterior (Quer Publicar um Livro?) a publicação de um livro bem editado envolve dezenas de milhares de reais, uma tiragem de no mínimo uma centena (à milhares, para baratear) e um gasto de tinta e papel absurdo, sem contar em todo lixo gerado industrialmente desde a fabricação da tinta e do papel, até o processo de fabricação do livro em si.

Descobrindo o magnífico ISSUU eu achei uma maneira limpa e bonita de publicar (quem sabe) todas as minhas obras que ainda estão na obscuridade. Tenho pensado seriamente em ir fazendo uma editoração caseira bem feita, quem sabe adicionar até algumas ilustrações e ir montando minha estante virtual. Por que o ISSUU fornece esta página aparecendo todas as publicações daquele autor, dê uma olhada na minha (que ainda está com apenas uma solitária publicação).

Assim, meus livros poderão ser lidos por aqueles interessados, um sonho que eu tenho desde que comecei a escrever e fiz uma homepage, agora extinta, chamada ODACON137 - Selo Virtual de Produções Literárias Artesanais. Era uma "home" na qual eu publiquei o Gêmeos.Virtuais antes dele virar um livro "de verdade" e também um outro conto, chamado Godboy - O Garoto Deus. Lá eu descrevia minha ideia (que eu ainda acredito) que publicar um livro as vezes obriga o (pequeno e novo) autor a "convencer" as pessoas a lerem seu livro, fazendo seu próprio marketing. E por mais que o livro seja bom, eu sei que comprar um livro de alguém conhecido é sempre estranho, já que é como se você se sentisse na obrigação de ler, ou até (na obrigação) de gostar do que leu - ou pelo menos fingir que gostou, com medo de desagradar o amigo... O que é uma situação embaraçosa e contra producente para ambos - leitor e autor.

Enfim, hoje acredito que meu desejo está próximo de se tornar real. Tenho MUITAS coisas a publicar, contos, novelas, romances e crônicas em vários gêneros: ficção científica, fantasia, ficção fantástica, mistério policial até comédias e absurdos. Tenho também algumas poesias que tenho que caçar e reunir. Ainda medito muito sobre o que, como e quando (e até em que ordem) publicar, mas acredito que o trabalho será paulatino, mas constante, de modo que um dia, todo meu repertório estará disponível - e completamente de graça - para todos os interessados.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um teste de leitura de PDF online

Olá gente...

Apenas como um teste, posto novamente a Infância de Alef, agora em formato PDF para leitura incorporada no blog. Estou pensando em publicar meus escritos deste modo daqui para frente. É uma maneira boa de preservar o formato de livro e proporcionar uma leitura online agradável.

Essa ideia me veio, pois tenho na manga uma "continuação" de Gêmeos.Virtuais já pronta, escrita há muito tempo, em 2004, mas que ainda não tive chance de publicar, mesmo tendo tentado vários concursos e apreciações em editoras...

Ainda não decidi se vou disponibilizar a obra completa de uma vez, ou em capítulos, ou se vou colocar apenas amostras e fazer uma opção de download/leitura online diferenciada, que comentarei mais tarde... Ainda são apenas ideias, mas para aqueles que tinham curiosidade e aqueles que tanto me perguntaram: SIM! O universo dos Gêmeos tem uma continuação, mas não esperem que a história parta do ponto onde parou, pois foi uma ideia que surgiu numa conversa com um amigo e foi aos poucos sendo incorporada no futuro que se desenrola após os eventos finais do livro.

Enfim, o texto. Quem não leu os posts com as partes do Apêndice, pode ler aqui:

ps - Pessoal! Acabei de atualizar este post, agora que descobri este reader magnífico, que se assemelha a um livro, podendo virar as páginas e dar "zoom" de maneira intuitiva. Espero que gostem!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Relendo e reescrevendo...

morguefile.com
Hoje meu trabalho foi de revisão nas cinco páginas que consegui escrever até agora (não sei ao certo, pois estou usando uma fonte maior para não cansar muito a vista).

É interessante poder ler, fazer pequenos (ou médios) ajustes e se sentir satisfeito com o progresso da escrita. É também uma boa maneira de verificar seu vocabulário e evitar ser prolixo, tanto nas palavras como na forma de escrever... O que não é nada fácil. Bom, cinco (?) páginas... Já alcançou o tamanho exato do apêndice sobre a infância de Alef. Como eu "temia" certamente ficará maior. Temer não é bem a palavra, certamente tenho muito mais coisas a contar agora e também não tenho um limite de páginas como havia na coletânea. Embora minha maior preocupação (apesar de boba e talvez infundada) seja não manter um padrão de tamanho para os capítulos: quase todos os capítulos de Gêmeos.Virtuais são curtos, tendo em média quatro ou cinco páginas em A4 (chegam a seis ou sete no formato do livro).

Não tenho uma boa impressão quando o escritor "tem que" escrever mais do que o normal para contar uma história, digo... Gosto que haja um equilíbrio, uma média. Quando os capítulos da história vão crescendo, ou o volume dos livros de uma saga vão ficando maiores, dá a impressão de que eventos desnecessários estão sendo registrados ou que o autor não achou uma maneira mais simples de contar sua história. Não que tenha que ser simples, pois não é só um enredo, um roteiro, uma história, é entretenimento e arte, vale também como se conta a história... Mas não é fácil achar um equilíbrio entre um leitura rica e uma leitura complexa, digo, acho que a leitura deve ser rica, mas simples ao mesmo tempo...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma carta tão esperada...

morguefile.com
Depois de corrigir várias pilhas de provas, consigo voltar a escrever mais uma página e meia. É, o ritmo está bom para quem ficou anos sem praticar. O post de hoje é curto, mas gostaria de compartilhar com vocês o que venho escrevendo... O enredo por enquanto é apenas preparatório, acho que será um daqueles textos onde os eventos vão crescendo em número e importância, mas nem tenho ideia de quantas páginas vou acabar escrevendo... Gostaria que ficasse tão curto quanto o primeiro apêndice de Gêmeos.Virtuais, que conta sobre a infância de Alef, porém, não creio que eu consiga ser tão sucinto.

No momento (na história que se desenrola) Anderson, pai do protagonista, recebe uma carta que ficou guardada por anos e anos, desde que o bebê Alef apareceu em sua vida. As informações da carta não são muito esclarecedoras, mas nem poderiam ser, apesar da óbvia curiosidade dos pais do menino, muita informação sobre ele talvez... os assustasse. Com palavras úteis e ternas um velho amigo deixa sua mensagem,  para encher os corações daquela família com esperança e confiança.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sobre guerras e revoluções

Esses dias tenho estado um tanto "belicoso" nas minhas leituras e filmes: estou lendo um romance histórico sobre Alexandre "O Grande" e tenho assistido ao documentário "Os Filmes Perdidos da Segunda Guerra Mundial" (WWII Lost Films). Tenho quinze minutos (que coloquei de prazo para mim) para escrever este texto e finalmente meter a cara na papelada e corrigir a última pilha de provas mensais.

Assistindo e lendo tantas coisas sobre guerras, batalhas etc, volto a me perguntar, como fiz várias vezes, o motivo de tanta crueldade e violência e sei que a pergunta tem um tom ingênuo e imaturo, pois as causas são numerosas e profundas, talvez arraigadas na própria característica do homem, seja da sua parte animal, seja da sua parte racional ou emocional, seja de uma mistura entre todas estas partes.

Talvez vocês se perguntem porque eu estaria escrevendo sobre isso no blog do Gêmeos.Virtuais, mas nem preciso lembrá-los que o enredo do livro se desenvolve durante a Guerra do Iraque em 2003. Guerra que tem suas raízes muito profundas na história entrelaçadas em motivos tanto religiosos, quanto financeiros como políticos e diplomáticos, numa mistura de interesses territoriais bélicos e também aos recursos petrolíferos.

E é uma terra tão antiga, entre os rios Tigre e Eufrates, rios citados no Gênese como parte do cenário do Jardim do Éden. Na verdade, este é o local onde surgiu a civilização Suméria, berço de tantas artes e ciências como astronomia e astrologia.

Enfim, meu tempo está acabando e gostaria de terminar este post dizendo apenas que acredito que a Guerra, por mais confusas e duras que possam ser as suas causas, surge, na opinião deste humilde professor de Física, da incapacidade de um grupo (raça, etnia, povo...) partilhar recursos e compartilhar um espaço em comum.

E não estamos todos fazendo isso, a todo instante, seja numa fronteira entre duas pátrias rivais ou dentro de nossos lares?

Ou até dentro de nós mesmos?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quer publicar um livro?


Caro internauta, recentemente uma amiga me pediu uma informação sobre "como publicar um livro", visto que eu já tive esta experiência. Depois de responder o e-mail dela acabei achando que o que escrevi não ficou apenas interessante, mas útil para futuros escritores... Então, seguem (quase) na íntegra, as dicas e orientações que forneci. [Não se importem com a falta de formalidade no texto, já que era um e-mail].

***

[Do que segue abaixo] Algumas coisas são opiniões próprias, que acabei desenvolvendo 10 anos após ter começado a escrever.

[Dicas e Orientações]

1. Sentir se você REALMENTE quer publicar o livro, para isso pensar nos vários motivos possíveis:
  • Sonho
  • Financeiro
  • Sucesso/Fama
  • Tema importante/Vale a pena ser lido
  • Tema original
  • outros...
Por que isso? Pois não é nada fácil (em termos financeiros) conseguir colocar um livro no mercado e menos ainda "vendê-lo", digo por experiência própria. Agora, se você tiver tanto a vontade como os recursos e oportunidades necessárias, MANDE BALA.

2. Registrar na BN (bn.br) é a Biblioteca Nacional. Pagava-se uma mísera quantia de R$20 para ter sua obra registrada no seu nome até que as fotocópias esmaeçam (aí é só você substituir por novas - mas se vc publicar, a editora cuida disso depois, com um registro internacional, o ISBN). O processo é meio (MUITO) chato, tem uma série de links pra clicar, preencher formulários, emitir (imprimir) um boleto do tesouro nacional, pagar no Banco do Brasil etc... Eu não lembro de tudo, mas se vc for enfrentar essa barra eu posso te dar uma ajuda, mas já aviso, é chato. Segue um link: Registro ou Averbação dá uma olhada. Registre de qualquer jeito, mesmo que acabe não publicando, é barato e garante que você tenha a autoria do texto.

3. Ilustrações: Você mesma pode ilustrar, pode contratar um ilustrador por conta ou pode deixar que a editora se preocupe com isso (aí eles farão uma seleção e vão ver se você aprova, com um portifólio, eu acredito). Voltarei pra falar disso quando citar preços e custos, mas se vc (ou alguém "seu") foi ilustrar e você quiser registrar CADA desenho é mais caro: se não me engano R$80 por ilustração ou personagem, mais ou menos isso.

4. Diagramação: Você pode fazer um rascunho e sugerir a diagramação. Você escolhe tudo, tipo do papel, laminação (fosca ou brilhante) e tamanho (A5, A4, "quadrado", de bolso e tantos outros...).

5. Envio de originais: Você pode enviar para qualquer editora quando quiser, mas o ideal é registrar antes, para o caso de extravio ou atos de má fé. Porém o legal é contatar CADA editor pra saber COMO eles gostam de receber o original, em formato físico (A4, encadernado, etc) ou digital (fonte, espaçamento...).

6. Guia do Ilustrador: existe um texto aberto na internet que leva este nome e é muito legal pra saber um pouco mais sobre ilustrações. Não é você quem vai ilustrar (eu acho), mas vai contratar alguém ou terá que ter uma noção do preço, então é legal saber COMO cobra um ilustrador.

7. Publicação: Você pode "escolher" várias formas de publicar seu livro, como...
  • Particular. Você faz um orçamento, paga pela edição e tiragem dos exemplares (quanto maior a tiragem, mais barata a unidade). Normalmente de 10 a 20% ficam com a editora para distribuição no mercado, destes vc tem direito só a uma porcentagem da venda, não lembro direito (acho que de 10 a 20%, também). Os outros 80 a 90% são seus, abra um espaço no porão para guardá-los e trate de desenvolver uma bela campanha de marketing e divulgação, pois não vai ser fácil "se livrar" deles. Faça uma simulação aqui: Komedi (a editora em que publiquei, publica muitos livros infantis, do próprio dono em especial, que fizeram muito sucesso - não se preocupe com a concorrência, ele é muito gente fina hahahaha). Só pra vc ter uma noção, o meu livro em 2008 (1000 exemplares, formato A5, sem ilustrações, sulfite bege - não lembro qts gramas, capa com verniz, duas cores) ficou mais de R$6mil - pagos em parcelas, não lembro quantas. Hoje em dia, um do mesmo porte fica por volta de 8 a 9 mil reais. Com ilustrações o preço sobe... E muito (eu acho). Não faço ideia do quanto...
  • Editora. Você envia uma cópia, a editora aprecia seu original e BAM! Eles gostam... Agora é só sentar e relaxar, eles provavelmente vão dizer que podem dar um montante X e dentro daquilo você escolhe o que vai ser, papel, formato, diagramação, tiragem etc. Acredito que eles também devem dar uma sugestão "standart". Contras: ELES NUNCA LÊEM o que vc manda... Sério, passei por isso várias vezes. "Nunca" é brincadeira minha, mas DEMOOOOOOOOOOOOOORA, pra ter uma resposta. EU, nunca recebi resposta, sempre tive que correr atrás, passa o prazo estipulado para contato e NADA! Então, não se desiluda se um editor c#$@& esquecer de você... A maioria faz isso por um motivo muito simples: são c#$@&s mesmo! E outra, é mais vantajoso RE-publicar sucessos internacionais ou clássicos nacionais, ou qualquer "sucesso" de outro autor medíocre qualquer do que apostar em um GÊNIO desconhecido, como nós hahahahaha. [Eu sei que eles tem muito trabalho, mas custa dar uma olhada no prazo estipulado? Falta de respeito!]
  • Concursos. Você faz seu original (com ilustrações também, se puder) e envia para um concurso. No caso de contos, poesias e romances é mais comum, mas no caso de livros infantis com ilustração, sinceramente, nunca vi. Mas se tiver, um concurso é legal porque normalmente o prêmio é em dinheiro, quantias que podem variar de 500 a milhares de reais ou ter a obra publicada sem custos. De qualquer modo, você pode utilizar o dinheiro do prêmio para pagar uma publicação particular (ou ajudar a pagar). Concursos que conheço SESC e Casa Mário Quintana.
  • Projetos. Existem além de Lei Rouanet (sei lá se existe ainda) e incentivos municipais e estaduais: TEM QUE FICAR ESPERTA, se cadastrar em feeds, newsletters, google alerts etc. Eu fiz isso pra concursos e participei de vários - não ganhei nenhum :( . Aí você lê o edital, que é surto de gigante, vê se se enquadra, escreve o projeto do livro, que no caso de livro infantil CAI SUPER BEM, normalmente vira paradidático de escolas públicas, aí a divulgação já ta feita (SUCESSO!)... O projeto pode te "premiar" de várias maneiras, com um montante e você usa na publicação, ou, se tratando de livros, acho mais comum que você passe um orçamento e eles tratam da publicação. Normalmente os projetos tem um valor estipulado de, por exemplo, 10 a 20 mil reais para ser realizado e inclui além da edição e impressão dos livros, palestras e bate papos com o autor em espaços culturais e escolas.
Considerações finais

Hoje (serei sincero), acho que depois de uma virada nos conceitos que tinha na minha vida, só publico outro livro se estiver "defecando" dinheiro e puder pagar alguém pra fazer o agenciamento e divulgação do livro... Porque, sinceramente, acho que CULTURA é coisa do mundo, não quero, não tenho intenção de vender mais nada artístico que produzo, seja desenho, música ou textos [a não ser que um editor ache que eu vou ser o próximo Tolkien, aí o comércio está nas mãos deles e fico satisfeito com meus direitos autorais]... Eu voltei a escrever recentemente, e de boa, sem compromisso, vou começar a publicar no meu blog e lê quem quiser... Já existe TANTA porcaria no mundo que, por melhor que seja o que a gente escreve, vai ser difícil a gente ser [re]conhecido ainda em vida e nem digo pelo sucesso, mas tenho certeza que, assim como eu, você tem alguma mensagem a passar...

Então, SUGESTÃO ECO-Literária... Levando em conta que não suporto gasto inútil de papel, sabendo ainda mais que tem gente que vai comprar seu livro E NÃO VAI LER (parabéns!!! use de peso de porta então, use pra limpar a b... PRA QUALQUER COISA, mas Ôo... tem gente querendo ler!!!) então eu estou avesso a publicações em papel. Por que não fazer um SITE, um site LINDO DE MORRER, com seu livro e ilustrações "vivas" dinâmicas (exemplo - Magical Game Time - ShyGuys), nem que sejam apenas amostras, algumas páginas, só pra chamar a atenção e você vai colocando pedaços, samples de projetos, assim você passa sua mensagem e se algum editor curtir vai te chamar e dizer: "tu fez sucesso, vamos publicar isso!"

Veja a [...] GALINHA PINTADINHA, começou no YouTube, agora tá no Netflix e tem até musical de teatro. Outro livro que começou assim é "A Batalha do Apocalipse". Então... Sei lá, acho que, hoje em dia, a gente deve "FAZER SUCESSO PRIMEIRO" (test drive, a voz dos internautas é a voz de deus - não sei de QUAL DEUS, mas é).

***
É isso aí caros internautas! Espero que as informações tenham sido úteis, ou pelo menos divertidas para vocês!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Infância de Alef - Parte 3 de 3


Livro Gêmeos.Virtuais e XIII Coletânea Komedi

1990

Ele estava quase completando quatro anos quando começou a gostar muito que o pai lhe contasse histórias, menos da bíblia, pois ele já conhecia e achava que tinha coisas muito tristes que ele não gostava de se lembrar. Certo dia o pai, por curiosidade, resolveu buscar o Alcorão, que estava esquecido entre tantos livros em sua biblioteca particular e começou ler a ele alguns suratas, mas Alef não quis, pois disse que já conhecia. O mesmo aconteceu para a Torá e para o Mahabarata, que acrescentou ser muito violento. Era só o pai começar a ler algumas palavras e o garoto já interrompia e pedia que lesse outros contos, os infantis. Adorava “A Branca de Neve”, “Os Três Porquinhos”, “João e Maria”, mas seu preferido era “Peter Pan”, Anderson e Maira contavam e recontavam essa história e muitas vezes já estavam quase dormindo quando ele os acordava para que continuasse. E certo dia, depois de ter ouvido a história uma centena de vezes ele disse: “Papai... Tenho mesmo virar gente gande?”, “Sim filho, todos nós crescemos um dia”, “Eu não quéio quecer. Eu vou machucar as pessoas”. O pai se assustou, mas tentou manter a calma: “Todo mundo machuca alguém às vezes, é normal”, “Mas eu vou machucar muita gente... Não me deixa quecer papai”.
Alef era uma criança muito feliz, mas nesses momentos parecia carregar um fardo tão grande, maior que o de um adulto que já enfrentou muitas dificuldades na vida. Uma melancolia muito grande o atingia e os pais começaram a considerar a possibilidade de procurar um psicólogo. Nessa mesma época, Regina adoeceu. Tão pequena e tossia sem parar. Os médicos diagnosticaram como uma gripe forte e receitaram os remédios. Mas o sofrimento dela atingiu a família e os deixou muito tristes. Num desses dias de repouso da menina, Maira estava sozinha com as crianças e precisou ir até a cozinha cuidar da comida e pediu: “Alef, cuide de sua irmã por alguns instantes, eu já volto”. Dona Maira foi até a cozinha com o coração partido de ouvir a amada filhinha tossir tanto. Felizmente as pequenas obrigações da cozinha a fizeram esquecer por alguns instantes aquela dor. Quando deu por si, já não podia mais ouvir a tosse da filha. O que a devia deixar tranqüila, apenas a alarmou: “Filho, está tudo bem com Regina? Filho?”. Alef não respondia então Maira correu para o quarto e encontrou a filha dormindo sossegada e respirando com facilidade. Alef nem se importava, estava assistindo desenhos animados. A mãe tocou o peito da filha e percebeu que sua respiração não tinha mais aquele ronco típico da gripe e ficou perplexa. Olhou para o filho e não hesitou: “Alef, você fez alguma coisa com Regina?”, “Não mamãe, eu tava quetinho”. Maira suspirou fundo e estava de saída quando ouviu: “Foi Bete que fez...”, “O que ela fez?”, respondeu a mãe sem nada entender “Ela curou a Regina”. Aos prantos a mãe lhe disse: “Então diga a Bete que serei eternamente grata e que a amo como se fosse minha filha também”, “Ela sabe mamãe. E disse que é sua filha também”.

1991

Dias e meses passaram e a melancolia de Alef parecia ter diminuído. Ele já não falava tanto de seus irmãos e sua amizade com Bete não atrapalhou sua amizade com Regina, nem com os amiguinhos da escolinha, quando começou a freqüentar. Ele era um garoto muito competitivo, sempre queria ser o primeiro. Não dava muita atenção aos ensinamentos, mas sempre que havia uma lição ele respondia sem pestanejar. A professora e a coordenação ficavam impressionadas com a capacidade dele e atribuíam isso à cultura dos pais, ambos graduados e ainda estudiosos.

1993

Os problemas voltaram a aparecer no seu sexto ano de vida quando acordou novamente chorando de madrugada. Dessa vez, mãe e pai foram acudi-lo e ele dizia, aos prantos: “Bete vai embora! Bete vai embora! Não deixem ela ir embora!”. Depois desse dia ele tentava falar com ela que parecia não mais responder. Começou a ficar muito triste. Algumas vezes ele disse que a via, mas era só por alguns instantes, com o canto do olho: ela sorria e sumia quando ele olhava. Quando isso acontecia, sempre chorava e começou a ficar agressivo quando os pais tentaram compensar essa perda, para ele, irreparável. Esse comportamento se estendeu para a escola e ele começou a agredir os coleginhas quando estes o contrariavam. Os pais foram chamados muitas vezes pela coordenação que, decepcionada, acabou convidando-os a tirar o menino da escola e que procurassem tratamento, para ele e para os pais. Chegaram até a alegar que o casal estava se desestruturando e que isso certamente estava atingindo a criança. O que não era verdade: Anderson e Maira tinham seus problemas, mas nunca deixaram que seus laços afrouxassem a tal ponto. Injuriados, procuraram várias escolas, mas em pouco tempo tinham que tirá-lo, pois seu comportamento era muito arredio. Deixaram que um tempo ele ficasse apenas em casa e contrataram uma psicopedagoga até que acabasse o ano letivo e ele pudesse voltar à escola.
Veio então uma doutora gentil, que aos poucos conseguiu conquistar sua amizade. Ela também criou um profundo afeto pelo menino e passou a freqüentar sua casa quase todos os dias, às vezes, apenas para brincar com ele. Demorou meio ano até que ele conseguisse esquecer Bete e seus irmãos, mas foi muito rápido dada a gravidade da situação. Começou a se relacionar novamente muito bem com os pais, com a irmãzinha e tudo ia muito bem. Parecia que a família teria paz por algum tempo. Alef se tornou mais calmo e paciente, tanto que aceitou muito bem quando a psicóloga disse que passariam a se ver menos e depois, menos ainda e que depois de um tempo talvez não se vissem mais. Ele chorou muito, mas não de mágoa, apenas pela emoção. E mesmo sem que ninguém tivesse lhe avisado, no dia que seria sua última visita ele disse a ela: “Adeus, tia Theodora”.

***

Assim termina meus escritos sobre a infância de Alef, abrindo as portas para o futuro capítulo que ainda escrevo sobre sua juventude. Espero que tenham apreciado a leitura e que estejam curiosos por mais.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Conhecimento de Causa

Deve fazer mais ou menos uma semana que não avanço com o capítulo extra (apêndice 2) de Gêmeos.Virtuais. Além de outras obrigações, ainda teve o carnaval, no qual fui fazer trilhas e visitar cachoeiras com grandes amigos. Mas isso foi bom, pois nesse meio tempo uma amiga que consultei para saber uma informação sobre caixas-postais dos correios me respondeu e ainda me passou uma informação completamente oposta à que eu havia imaginado. Eu a contatei exatamente para pedir uma "Consultoria Literária", digo, para ver se a coisa é na realidade como eu pensava. E, nesse caso, não era. O difícil é que eu já havia escrito, acreditando que eu estava correto (Rá Rá Rá), agora é que vem o "twist" do enredo: como eu farei para contornar a situação? Escrevo tudo novamente? Dou um nó na trama e deixo no ar? Ou prossigo com o problema dou uma explicação posterior?

Esse é um dos grandes desafios da escrita... O que desejamos? Escrever criando um universo que é totalmente diferente do nosso, um universo semelhante ao nosso, mas que não está preso a regras ou um universo exatamente igual ao real, no qual cada detalhe tem que ser seguido?

Penso que, independentemente da escolha, acho que temos que prosseguir da maneira que a história fique mais interessante, que tenha alguma mensagem a passar que seja ao mesmo tempo entretenimento e cultura. Só entretenimento pode ser vazio, mas só cultura pode ser muito chato. Tem que se procurar o equilíbrio.

Tenho certeza que em todos esses meus anos de escrita eu cometi vários "erros" como este que citei no início, mas acho que faz parte da evolução do escritor tentar cada vez mais buscar um conhecimento de causa do que se vai descrever para, pelo menos, saber "onde está pisando".

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Escrevendo...

Voltar a escrever é uma experiência incrível, principalmente quando se nota o quanto se pode explorar em cada situação, em cada personagem em cada nó da trama. Há seis meses meu médico homeopata (magnífico médico, por sinal) me perguntou como andavam meus escritos e eu respondi que fazia muito tempo que não produzia nada. E ele sabiamente disse algo como: "Quem sabe você volte a escrever dentro em breve". Não consigo me lembrar das palavras exatas, na hora soou bem mais profético. Enfim, é prazeroso poder me debruçar novamente sobre este teclado cheio de letras desarranjadas e, mesmo não sendo um exímio datilógrafo (uso apenas 2 dedos e meio em cada mão), poder organiza-las em uma ideia que começa a fluir com tanta facilidade que é difícil parar.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

8 Anos de Gêmeos.Virtuais - O 11 de Setembro e a Guerra do Iraque.


Pessoal, este é um artigo que publiquei no Facebook quando se completaram 10 anos do "11 de Setembro". Lá no Face ele estava privado apenas para os usuários, então posto ele aqui para que fique pública minhas considerações sobre esta data histórica e a relação que ela tem com o livro Gêmeos.Virtuais.

***

por José Raphael Daher, domingo 11 de setembro de 2011, 18:43 ·

11 de Setembro, Al-Qaeda, Osama Bin Laden, Saddam Hussein, George W. Bush, a 3ª Guerra do Iraque, a "Ameaça" Norte Coreana e a Criação dos Gêmeos.Virtuais.

Venho aqui prestar minha homenagem às vitimas dos ataques realizados nesta mesma data, à 10 anos atrás. Tenha ele sido realmente planejado pela Al-Qaeda, ou não, os eventos que se iniciaram neste dia serviram como um motivo adicional para que os Norte Americanos invadissem o Iraque, pois acusavam o governo Iraquiano de manter relações estreitas com esta chamada organização terrorista, além das acusações sobre a confecção de armas de destruição em massa. Além disso, os Norte Americanos alegavam ter como missão libertar o povo Iraquiano de um governo ditatorial. Com esses motivos iniciou-se a Guerra do Iraque, que muito me marcou no ano de 2003, pois eu já havia visto outra acontecer, em 1991. Ver novamente o Oriente-Médio ser atacado por motivos não menos obscuros, e claramente interesseiros, caiu como uma bomba sobre mim em uma época em que o gosto pela escrita estava nascendo. Lembrar do 11 de Setembro, que também é a data da morte do falecido Prefeito de Campinas, Toninho, que também certamente foi assassinado por causas não menos obscuras (e certamente tão políticas quanto às da guerra cuja semente havia sido plantada no mesmo dia) é para mim um evento quase onírico. Eu, como muitos, vi ao vivo o segundo avião bater contra a outra torre. Uma grande amiga minha, vivia então nas proximidades. Vi o quão perto os embaraços políticos e diplomáticos internacionais podiam estar de nós a ponto de quase nos envolver.

Demoraram 2 anos para que a Guerra no Iraque fosse declarada, demoraram também dois anos para que eu começasse a escrever. De certa maneira, devo à todos os envolvidos nessa guerra interminável de fé, política e mercado, a criação da minha primeira história. Mesmo sendo uma ficção científica, talvez ela não seja tão fantasiosa quanto as diversas declarações oficiais sobre organizações terroristas, ameaças nucleares e motivos "altruístas" para invadir um país. Agradeço também a todos que me deram apoio na minha empreitada de escrever e publicar um livro tão audacioso, controverso e, certamente, sentimental e imaturo, pois ele me abriu muitas portas. Volta e meia me pego relendo Gêmeos.Virtuais para ver se não fui exageradamente descuidado com a geopolítica e a história de fundo em troca da liberdade literária. Reflito até hoje se devia ter pesquisado mais e buscado a maior verossimilhança possível com a realidade, com as possibilidades diplomáticas e históricas de uma guerra que envolvesse principalmente os Norte Americanos, Iraquianos e Norte Coreanos... Até hoje tento me convencer que, tendo sido um escritor iniciante e amador, eu consegui dar asas à minha imaginação latente que nunca tinha tomado a forma de uma obra completa. Quantas coisas eu havia iniciado e deixado pela metade até então... Pela primeira vez eu tinha um enredo pronto, só me faltava preencher as lacunas e escrevê-lo, do início ao fim, sem esmorecer, sem perder a autoconfiança ou a auto-estima.

De certo modo, meu conto, como qualquer outro conto ou romance já escrito, não é verdadeiramente propriedade do autor, mas sim, da humanidade, pois, assim como qualquer outra obra, se baseia em fatos reais ou no que já foi escrito antes, com a única diferença de que traz uma nova roupagem, uma nova visão, uma nova interpretação. Assim como Senhor dos Anéis é uma releitura da Mitologia Nórdica e assim como Os Lusíadas são um poema épico e fantástico baseado nas viagens e nas conquistas de Vasco da Gama e seu povo (e na Ilíada/Odisseia). Nem de longe querendo me comparar a tão geniais mentes como Tolkien e Camões (ou mesmo Homero), venho apenas demonstrar que história e fantasia, ciência e ficção podem facilmente se mesclar na mente humana e a única coisa que precisamos é coragem para que ela tome corpo.

Que Deus encaminhe, proteja e abençoe as almas das vítimas dessa horrorosa tragédia e dessa guerra que lembramos hoje. Que seus filhos e familiares um dia encontrem a paz no coração e que a Luz Divina os faça homens e mulheres de uma nova geração na qual se compreenda que não há Paz enquanto cedermos ao desejo cruel de dominação e de retaliação sem medir consequências. Que a arte possa ser um dos caminhos de reflexão para todos nós. Um ótimo DOMINGO a todos. Sinceramente, J.R.Daher.

***

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Infância de Alef - Parte 2 de 3


1989, Brasil

Um dia o menino acordou assustado e chorando desesperadamente. Naquela época tinha pouco mais que três anos, era um garoto saudável que nunca tinha apresentado maiores problemas desde que nasceu, ou melhor, desde que chegou. A mãe correu assustada, como fazem todas as mães, mesmo quando a criança não saiu de seu próprio ventre. Ela o pegou nos braços e abraçou muita força, para dar-lhe segurança e embora ela não tivesse lhe perguntado o motivo, ele disse: “Mamãe, onde tão meus imãos?”, “Regina está nanando”, ela respondeu sem demora. “Não mamãe, meus outros imãos, meus imãos di vedade”, com essa pergunta ela ficou arrepiada até as pontas dos fios de cabelo, mas respondeu trêmula: “Só sei que estão bem, fofo, fique tranqüilo, Alef”, “Não... Não tão bem! Eles vão moê! Ajuda eles, mamãe! Po favo! Eles vão moê!”. Então ela chorou e se deitou ao seu lado, para acalmá-lo até que conseguisse dormir.
No dia seguinte e no outro nada mais ocorreu. Continuava uma criança feliz e saudável. Brincava e brigava com sua irmã caçula causando todos os problemas que uma família finge não gostar de ter com os filhos. Um dia Dona Maira, a mãe, estava cozinhando e Alef se aproximou para observar. “Qual o nome dête?”, ele perguntava apontando para algo, “Rabanete”, “Po quê?”, e a mãe brincava: “Porque ele parece um rabo!”. Alef gargalhava alto deixando sua mãe feliz. “E ête?”, “Cenoura”, “Po quê?”, “Porque é a mulher do Cenor! Bom dia Cenor, bom dia Cenoura!”. E novamente ele ria de maneira tão agradável. “E ête, mamãe?”, “Pepino”, “Po quê?”, “Pois é um pé em forma de pino!”. Desta vez até a mãe riu muito, mas parou quando percebeu que seu filho já não estava mais rindo. “O que foi, filho?”, “Mamãe, po que eu chamo Alef?”. Então ela continuou cortando os legumes e tenta se lembrar quando escolheu este nome, mas sua memória falhou então, apenas para não decepcionar o filho, respondeu: “Por que Alef é o nome mais bonito desse mundo, assim como meu filhinho”, mas ele franziu as sobrancelhas e respondeu: “Não... É poque eu sou o pimêio... E o último”. A mãe soltou a faca e suas pernas vacilaram. A faca caiu fazendo um ruído estridente, mas ela só se preocupou em se sentar. “Mamãe, ta tudo bem? Mamãe?”. E ela apenas olhava o filho, com receio no coração.
Nas noites seguintes foi a vez da mãe ter sonhos perturbadores, enquanto não teve coragem de contar ao pai. E, quando ela o fez, ele não se surpreendeu: “Tranqüilize-se, querida, ele é apenas uma criança. Mas se algo de estranho acontecer novamente, não deixe de me contar de pronto, para que você não fique tensa”. Mas não demorou até que o pai começasse a presenciar acontecimentos estranhos. Certa feita, numa comemoração, Maira chamou algumas amigas para relembrar a época de escola. Alef estava dormindo e quando acordou veio cambaleando até a sala, ainda perdido pelo sono. Logo buscou mãe que o acolheu no colo com muito carinho, sensibilizando as colegas que soltavam interjeições amáveis. “Oi filho... Dormiu bem?”, ele assentiu, mas continuou com os olhinhos fechados, ainda ressonando. Imaginando que o filho fosse voltar a dormir, continuou a conversa: “Do que falávamos mesmo? Ah! Da professora maluca... Gente, o que tinha aquela mulher? Ela já morreu?”, “Ai, nem sei”, respondeu a amiga “Mas se morreu, foi para o céu, pois ela sofreu horrores com nossa sala”, continuou a outra. Então o pai, Anderson, se aproximou, trazendo a jarra de suco e os copos e perguntou: “Acho que você já me falou dela, como era mesmo seu nome?”, e a mãe respondeu: “Bete”. Alef arregalou os olhos na hora e todos ficaram um pouco assustados, mas começaram a rir, pois ele fez uma carinha muito engraçada. “Agora ele acordou mesmo”, disse uma amiga, mas quase a interrompendo ele disse “Bete é minha imã”, e todos riram novamente. “Não filho, é Regina. Se confundiu?”, “Não... Bete é minha imã. Regina não”, “Não fale assim filho, que falta de respeito”, disse o pai, mas Maira já estava preocupada, lembrando-se da outra noite. “Tudo bem, filho”, disse a mãe, tentando apaziguá-lo em vão. “Eu amo muito a Bete. Ela ta sempe comigo”. Todos ficaram um pouco desconcertados e procuraram não tentar dissuadi-lo, para não prolongar o assunto, pois as amigas perceberam que Maira ficou muito incomodada. Anderson relutou, mas ainda imaginava se tratar apenas de um sonho, ou de uma amiga imaginária.
A partir daquele dia, Bete acompanhava Alef em qualquer lugar, pelo menos, era o que ele dizia com frequência. Bete dormia com ele, almoçava com ele, brincava, corria, assistia televisão, ouvia música e tomava banho com ele. Por vezes os pais o viram conversando, assuntos de criança, como dinossauros, carros, aviões, desenhos, heróis e robôs e isso até os deixava feliz, pois Regina era muito pequena para conversar com ele e onde moravam não havia muitas crianças e ele teria de esperar até começar a escolinha. Até que um dia o pai foi chamá-lo para almoçar e o pegou observando uma bíblia ilustrada. Ele olhava com tanta atenção que o pai não teve coragem de incomodá-lo e ficou apenas espiando pela fresta da porta: “Bete, o que ta esquito aqui?”, ele aguardava um tempo e dizia “Ah... Po que?”, novamente aguardava um tempo e virava algumas páginas. “E ete?”... “Mmm... Eu não lembo disso”... Então virou várias páginas até cair nos salmos, um deles, em especial, é dividido em vinte e duas partes. Ele apontou para o primeiro nome e disse “Alef... Ete sou eu... Bete... Eta é ocê... Gimel... Foi emboia? Dalet... Foi emboia? Het... Teth... Tudo eles?”. Alef começou a choramingar, mas antes que o pai entrasse, ele perguntou a Bete: “Po que só tem eu e ocê agoia?”, e começou a chorar. O pai entrou, abraçou o filho e deixou que ele chorasse bastante, até que disse: “Você tem muita saudade dos seus irmãos?”, o menino assentiu e disse, “Bete também”, “É ela quem lê a bíblia para você?”, “Não... Só as palavas que eu ainda não lembo”.
Os pais passaram a ficar mais preocupados, mas acharam muito cedo para procurar ajuda profissional. Anderson não conseguia localizar Ahmed, o amigo que havia lhes doado a criança, nem pelos consulados, nem pelos colegas. Ele havia desaparecido. No entanto, toda aquela estranheza do menino os iluminava e eles não conseguiam acreditar que poderia ser nocivo para ele ou para outrem.

Continua...