segunda-feira, 30 de setembro de 2013

10 Anos de História - Parte 2 - Uma Tiragem Independente

Nos meados de 2004 e 2005, depois da recusa de algumas editoras, eu resolvi fazer uma produção completamente independente do livro.

Comecei pela capa. Eu já tinha um desenho legal que eu havia feito, acho que mesmo antes de terminar de escrever o livro, porém ele era muito spoiler, ou seja, estragava o final do livro. Aí resolvi fazer um novo, que deixasse apenas sabores do conteúdo da história... Aí surgiu esta capa que vocês estão vendo e que quase acabou ficando para a edição final, mas o desenho se manteve.

Segui com a completa reedição do arquivo, sendo obrigado a duplicar cada página em tamanho A5 (metade de um A4) para conseguir espremer duas páginas em uma folha A4. Ficou confuso? Imagine para quem fez isso por uma centena de páginas. Duas capas, duas folhas de rosto, duas dedicatórias, duas numerações, etc, etc, etc.

Terminado o árduo trabalho ainda me faltava descobrir um lugar para fazer uma boa impressão para eu usar como original em fotocópias... Isso, eu pirateei meu próprio livro. Rá rá rá!

Lembro de ter feito uma mensagem inicial, de abertura, explicando um pouco sobre a obre e sobre o objetivo puramente cultural desta tiragem, de certo modo justificando o preço que a pessoa havia pago. Que não era pouco, por uma fotocópia, apesar de não ser muito para um livro.

Cada exemplar saia com um preço de custo de aproximadamente 8 reais, eu acredito, incluindo a encadernação. E, infelizmente, não eram todas as papelarias, (sim, papelarias... vai vendo como é o início da vida de autor) que tinham um acabamento legal  nos tons de cinza, no corte nem uma encadernação bem feita.

Eu cheguei a vender por 9 ou 10 reais, não me lembro mais. Talvez um pouco menos, e acho que cheguei a vender umas duas duzias. Mal lembro de quanto foi a primeira e a segunda tiragem... No total acho que não chegaram a 50.

Na época eu tinha receio que alguém tentasse piratear (a tiragem já autopirateada) do meu livro ou que alguns achassem um absurdo que eu cobrasse uma dezena de reais por uma fotocópia. Então, em minha mensagem de abertura no livro, eu fiz questão de explicar quais eram meus objetivos com aquele trabalho e que o preço era só pra cobrir os custos da tiragem (o que sobrava mal pagava o translado).

Primeiramente eu vendi algumas edições para meus amigos, colegas de trabalho... Depois, consegui deixar alguns exemplares até em bancas de jornal, mas acho que nenhum deles chegou a ser vendido assim.

Depois de um tempo, para melhorar a divulgação eu resolvi fazer uma degustação, um mini livrinho, em tamanho A6 (ou seja, metade da A5), contendo o primeiro capítulo, uma sinopse da obra e meus contatos.

Eu devo ter feito uma centena deles, ou mais, e deixei em livrarias, bascas e jornal, distribuía aos amigos, colegas e conhecidos e cheguei até a abordar pessoas em praças, perguntando: "Vocês gostam de ler?" e se a resposta era positiva eu entregava a versão mini. Depois isso acabou virando uma técnica comum de divulgação literária.

Foi uma época muito gostosa... A essa altura, muitas pessoas já comentavam sobre o livro, me elogiavam, me mandavam e-mails e por muito tempo eu permaneci com isso, não estava esperançoso de que um dia eu conseguiria publicar com uma editora e essa resposta inicial já foi satisfatória.

Mas nesse meio tempo, minha criatividade não me deixou em paz... Eu andava pelas ruas, nas idas e vindas do colégio em que eu trabalhava, matutando mil ideias que aos poucos foram se juntando...

E em 2005 eu já havia escrito mais 2 livros!

São eles Canção do Mundo Caído, que possui o dobro do tamanho de Gêmeos.Virtuais e pode ser considerado como sua "continuação espiritual" (ultimamente as gamehouses tem usado muito esse termo) e também um pequeno conto: Godboy - O Garoto Deus.

Ambos eram mais audaciosos, "Canção" por ter sido escrito na surpresa: eu não sabia o final do livro; era como se "o livro" estivesse me contando sua história e foi interessante também, pois o enredo não se passava em nosso mundo atual, mas em "um mundo só meu", no qual eu tive total liberdade para criar. E "Godboy", por ter sido uma tentativa de fazer uma "história dentro da história" cujo resultado me deixou muito satisfeito. Alguns amigos gostaram até mais deste do que de Gêmeos.Virtuais.

Sem contar que, desde final de 2002 eu escrevia constantemente em meu primeiro blog e vários micro contos e poesias haviam aparecido desde então. Eu definitivamente estava em minha fase áurea na literatura e nem imaginava que tipo de futuro eu teria nesse ramo por vezes tão ingrato.

Em meu próximo post veremos a Parte 3 - Abraçando o Virtual

sábado, 28 de setembro de 2013

10 Anos de História - Parte 1 - A Edição "Especial"

Há uns 10 anos, eu estava terminando de editar no Word essa Edição "Especial" de Gêmeos.Virtuais. Por que motivo chamava-se "Especial"? O que significa esta mão na capa? O que se manteve desde então?

Bom, hoje eu me sinto até meio idiota quando vejo este escrito: "Edição Especial" no rodapé. Na época eu acreditava que seria interessante escrever isso para me lembrar que esta era única da espécie, mas não que tivesse algo de realmente "ESPECIAL".

Eu lembro de ter enviado cópias deste original à editoras do país inteiro e se não me engano, é uma versão como esta que foi registrada na Biblioteca Nacional...

Em São Carlos eu lembro de ter ido visitar uma editora - cujo nome nem me lembro - e acredito que o editor, só de ver a mensagem "Edição Especial" na capa e esta mão torta já deve ter pensado: "Lá vem mais um daqueles entusiastas mistico-científicos trazer mais uma bomba pra mim". A primeira coisa que ele me perguntou foi: "Sua família é grande?"... Bom, para aqueles que não devem ter sacado a problemática, ele estava se referindo ao fato de que nós, escritores desconhecidos acabamos por dever uma grande parte do nosso sucesso ao apoio da família, tanto na divulgação como na compra dos exemplares em si. Eu não gostei muito do jeito que ele me recebeu; com um certo desdém, o que é frustante para um escritor iniciante, tímido e inseguro de sua própria habilidade literária.

Com o tempo, mais recusas foram aparecendo, até de uma editora cujo nome é muito parecido com o protagonista do livro (para não dizer praticamente igual), que era especialista em romances e novelas Sci-Fi (Ficção Científica). Era uma boa esperança que eu tinha, que também não se concretizou.

Olhando para o passado eu vejo que vários motivos possam ter sido determinantes nessas recusas e fica aí a dica para os aspirantes:

1. Apresente seu trabalho de maneira mais convencional, que não cause nenhum preconceito do avaliador. Isso vai cortar um árduo caminho... Infelizmente, acho que os editores acabam "julgando o livro pela capa"; eles tem muita coisa para avaliar e certamente não tem tempo de julgar seu trabalho como um todo. Devem ficar com a impressão inicial, das primeiras páginas... Por isso, seu livro tem que ser do tipo "amor à primeira vista".

2. Muitas das editoras nacionais tem mais interesse (financeiro) em publicar best-sellers internacionais, do que apostar num escritor "sem nome", por isso, não pense que eles não gostaram do que escreveu, não desanime, pense apenas que tem gente mais famosa na sua frente.

Ainda falando da capa, mas agora da "arte", se é que assim pode se dizer... Isso que vocês estão vendo é minha própria mão, esquerda, na verdade. Eu desenhei colocando-a sobre o papel e depois preenchendo a interior. É quase impossível notar nessa imagem pequena, mas em seu tamanho natural pode-se enxergar uma sigla I.A. na palma, do lado esquerdo.

Muita curiosidade é gerada por essa marca, pois ela faz parte da trama e o mais legal é um fato que eu só revelava aos mais próximos quando eles liam o livro e que agora publico a todos: Eu não inventei essa marca, eu a tenho! Sim... Aliás, essa marca foi um dos motes para escrever o livro. A passagem do livro em que Alef conta à sua amiga virtual Theo (Theodora) que ele possui essa marca em sua mão é praticamente uma reprodução da conversa que tive com Veridiana, uma grande amiga (também virtual) que foi a musa inspiradora de toda essa história.

Para os curiosos: eu e Veridiana somos apenas amigos, mesmo por que as musas não passam de seres divinos que vem trazer a luz inspiradora aos homens. Fora esse impulso inicial, ela não teve mais muita parte no desenvolvimento do enredo; ela sabia que eu escrevia sobre as ideias que havíamos trocado, mas, fora o primeiro capítulo, ela nem imaginava como estava o andar da carruagem. Logicamente eu queria muito fazer uma surpresa a ela, então, quando a "Edição Especial" ficou pronta, eu lhe enviei uma cópia sem que ela soubesse e sua mensagem após o recebimento foi: "Quase morri do coração!".

Desta edição, o que eu quis muito manter foi a fonte Westminster, que é típica de coisas relacionadas a computador e é muito parecida com a usada no título do filme D.A.R.Y.L, que me marcou a infância e foi forte influência para escrever Gêmeos.Virtuais. Também o layout do título e autor e os nomes dos capítulos eu mantive até a edição final.

Porém, tanto o conteúdo como a fonte do texto interno mudaram um pouco. Com o tempo muitas correções foram aparecendo, algumas coisas foram adicionadas e revisitando essa fase da história do meu primeiro livro eu me sinto satisfeito, porém não totalmente...

Eu vejo que na ânsia de terminar esse projeto (coisa que não era comum para mim: terminar projetos), eu acabei sendo um pouco desleixado com referências geopolíticas importantes e com termos e ideias que não desenvolvi nem esclareci ao leitor.

Hoje eu teria feito diferente, mas por um lado, eu fico contente de que eu tenha conseguido, mesmo depois de algumas alterações, manter a versão final bem próxima da inicial, o sabor de amadorismo, de inexperiência, de modo que em possíveis futuras publicações os leitores possam notar uma evolução da minha escrita (assim espero).

Também penso que seria um crime se, 5 anos após a primeira versão eu reescrevesse grande parte do livro, de modo que este, além de perder o clima original, também correria o risco de se tornar uma colcha de retalhos e ficar notável que partes foram recortadas e substituídas.

Outra consequência interessante é que, sendo ele de leitura simples e rápida, além de ser não cansar o leitor também encoraja escritores ainda "adormecidos" a publicar sua obra, pois poderiam notar que não precisam ser exageradamente exigentes com os requintes de sua escrita... Pelo menos, em sua primeira obra.

Termino aqui a primeira parte desta retrospectiva... Em breve teremos a Parte 2 - Uma Tiragem Independente.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

19 de Outubro: Comemoração 10 Anos de Gêmeos.Virtuais

Agora é Virtual! Digo... REAL!

No dia 19 de outubro de 2013, daqui aproximadamente 25 dias, ocorrerá um evento comemorativo de 10 anos desde que escrevi Gêmeos.Virtuais e 5 anos desde o seu lançamento.

O evento será na Biblioteca Pública Municipal de Campinas Prof. Ernesto Manoel Zink, às 15h30 com previsão de término às 18h.

Abaixo seguem as especificações o evento:
  • Todos os leitores que já possuem um exemplar, considerem-se convidados a participar.
  • Aqueles que ainda não possuem um exemplar, confirmam sua presença no evento adquirindo um exemplar em uma das seguintes formas:
    • R$10 Para exemplar comprado individualmente
    • R$15 Para 2 exemplares adquiridos na mesma compra
    • Aceita-se troca por um livro de mesmo porte de Gêmeos.Virtuais (tamanho A5 com média de 120 páginas, ou equivalente) a ser posteriormente doado à Coordenadoria Setorial de Bibliotecas de Campinas.
  • Programação
    • Breve apresentação do Livro Gêmeos.Virtuais
    • Vendas e Trocas de Exemplares
    • Leitura Interpretada de um Capítulo
    • Momento para Autógrafos
    • Anúncio das Novidades
    • Doação dos Livros Arrecadados



Os interessados, favor preencher esta breve inscrição, para que os preparativos do evento sejam feitos nos conformes:

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Outubro, um Duplo Aniversário para os Gêmeos.Virtuais!

Lançamento do Gêmeos.Virtuais / 2008


Olá gente,

Este post é rápido! É só pra comunicar que esses tempos eu decidi fazer um evento, uma festa, digamos assim, para comemorar os 5 anos de lançamento do livro e os 10 anos desde que o escrevi!



Sim!

O evento ainda está em fase de organização, já tenho uma data para a 3ª semana de outubro, mas vou deixar a divulgação da data exata para depois, quando tudo estiver confirmado.

Só posso dizer que mais uma vez estou contando com a colaboração de pessoas magníficas, que sempre me deram apoio incondicional na minha empreitada literária!

Quando eu tiver mais detalhes, eu divulgarei!

Enquanto isso, vão guardando aí o 3º fim de semana de outubro!

Um grande abraço a todos e boa noite!