sábado, 28 de setembro de 2013

10 Anos de História - Parte 1 - A Edição "Especial"

Há uns 10 anos, eu estava terminando de editar no Word essa Edição "Especial" de Gêmeos.Virtuais. Por que motivo chamava-se "Especial"? O que significa esta mão na capa? O que se manteve desde então?

Bom, hoje eu me sinto até meio idiota quando vejo este escrito: "Edição Especial" no rodapé. Na época eu acreditava que seria interessante escrever isso para me lembrar que esta era única da espécie, mas não que tivesse algo de realmente "ESPECIAL".

Eu lembro de ter enviado cópias deste original à editoras do país inteiro e se não me engano, é uma versão como esta que foi registrada na Biblioteca Nacional...

Em São Carlos eu lembro de ter ido visitar uma editora - cujo nome nem me lembro - e acredito que o editor, só de ver a mensagem "Edição Especial" na capa e esta mão torta já deve ter pensado: "Lá vem mais um daqueles entusiastas mistico-científicos trazer mais uma bomba pra mim". A primeira coisa que ele me perguntou foi: "Sua família é grande?"... Bom, para aqueles que não devem ter sacado a problemática, ele estava se referindo ao fato de que nós, escritores desconhecidos acabamos por dever uma grande parte do nosso sucesso ao apoio da família, tanto na divulgação como na compra dos exemplares em si. Eu não gostei muito do jeito que ele me recebeu; com um certo desdém, o que é frustante para um escritor iniciante, tímido e inseguro de sua própria habilidade literária.

Com o tempo, mais recusas foram aparecendo, até de uma editora cujo nome é muito parecido com o protagonista do livro (para não dizer praticamente igual), que era especialista em romances e novelas Sci-Fi (Ficção Científica). Era uma boa esperança que eu tinha, que também não se concretizou.

Olhando para o passado eu vejo que vários motivos possam ter sido determinantes nessas recusas e fica aí a dica para os aspirantes:

1. Apresente seu trabalho de maneira mais convencional, que não cause nenhum preconceito do avaliador. Isso vai cortar um árduo caminho... Infelizmente, acho que os editores acabam "julgando o livro pela capa"; eles tem muita coisa para avaliar e certamente não tem tempo de julgar seu trabalho como um todo. Devem ficar com a impressão inicial, das primeiras páginas... Por isso, seu livro tem que ser do tipo "amor à primeira vista".

2. Muitas das editoras nacionais tem mais interesse (financeiro) em publicar best-sellers internacionais, do que apostar num escritor "sem nome", por isso, não pense que eles não gostaram do que escreveu, não desanime, pense apenas que tem gente mais famosa na sua frente.

Ainda falando da capa, mas agora da "arte", se é que assim pode se dizer... Isso que vocês estão vendo é minha própria mão, esquerda, na verdade. Eu desenhei colocando-a sobre o papel e depois preenchendo a interior. É quase impossível notar nessa imagem pequena, mas em seu tamanho natural pode-se enxergar uma sigla I.A. na palma, do lado esquerdo.

Muita curiosidade é gerada por essa marca, pois ela faz parte da trama e o mais legal é um fato que eu só revelava aos mais próximos quando eles liam o livro e que agora publico a todos: Eu não inventei essa marca, eu a tenho! Sim... Aliás, essa marca foi um dos motes para escrever o livro. A passagem do livro em que Alef conta à sua amiga virtual Theo (Theodora) que ele possui essa marca em sua mão é praticamente uma reprodução da conversa que tive com Veridiana, uma grande amiga (também virtual) que foi a musa inspiradora de toda essa história.

Para os curiosos: eu e Veridiana somos apenas amigos, mesmo por que as musas não passam de seres divinos que vem trazer a luz inspiradora aos homens. Fora esse impulso inicial, ela não teve mais muita parte no desenvolvimento do enredo; ela sabia que eu escrevia sobre as ideias que havíamos trocado, mas, fora o primeiro capítulo, ela nem imaginava como estava o andar da carruagem. Logicamente eu queria muito fazer uma surpresa a ela, então, quando a "Edição Especial" ficou pronta, eu lhe enviei uma cópia sem que ela soubesse e sua mensagem após o recebimento foi: "Quase morri do coração!".

Desta edição, o que eu quis muito manter foi a fonte Westminster, que é típica de coisas relacionadas a computador e é muito parecida com a usada no título do filme D.A.R.Y.L, que me marcou a infância e foi forte influência para escrever Gêmeos.Virtuais. Também o layout do título e autor e os nomes dos capítulos eu mantive até a edição final.

Porém, tanto o conteúdo como a fonte do texto interno mudaram um pouco. Com o tempo muitas correções foram aparecendo, algumas coisas foram adicionadas e revisitando essa fase da história do meu primeiro livro eu me sinto satisfeito, porém não totalmente...

Eu vejo que na ânsia de terminar esse projeto (coisa que não era comum para mim: terminar projetos), eu acabei sendo um pouco desleixado com referências geopolíticas importantes e com termos e ideias que não desenvolvi nem esclareci ao leitor.

Hoje eu teria feito diferente, mas por um lado, eu fico contente de que eu tenha conseguido, mesmo depois de algumas alterações, manter a versão final bem próxima da inicial, o sabor de amadorismo, de inexperiência, de modo que em possíveis futuras publicações os leitores possam notar uma evolução da minha escrita (assim espero).

Também penso que seria um crime se, 5 anos após a primeira versão eu reescrevesse grande parte do livro, de modo que este, além de perder o clima original, também correria o risco de se tornar uma colcha de retalhos e ficar notável que partes foram recortadas e substituídas.

Outra consequência interessante é que, sendo ele de leitura simples e rápida, além de ser não cansar o leitor também encoraja escritores ainda "adormecidos" a publicar sua obra, pois poderiam notar que não precisam ser exageradamente exigentes com os requintes de sua escrita... Pelo menos, em sua primeira obra.

Termino aqui a primeira parte desta retrospectiva... Em breve teremos a Parte 2 - Uma Tiragem Independente.