quinta-feira, 17 de maio de 2012

World Wide Wisdom - Parte 1

morguefile.com
"Dai de graça o que de graça recebestes"
Jesus, o Cristo (Segundo Mateus 10:8)

Inicio este post com esta frase que para mim exprime o que penso há muito tempo e o que tenho pensado intensamente desde ontem, quando vi a notícia sobre o "Gráfico do Conhecimento" da Google.

E penso nisso por vários e vários motivos, mas o primeiro deles (mas não o mais importante) é que, desde minha primeira conta no Hotmail (quando ainda nem era da Microsoft) eu venho utilizando (como a grande maioria, acredito), serviços de Internet gratuitos (ou melhor, sem mensalidade, pois lógico que as empresas recebem seu dinheiro de campanhas publicitárias etc.). A partir do momento que me convenci que o GMail era superior, eu passei a utilizá-lo e logo depois uma outra gama de serviços fornecidos pela Google, também gratuitamente. Sem contar que vários outros serviços que eu tinha foram encampados pela Google, como Picasa e o próprio Blogger. E deste então eu me tornei um fã da Google, que sempre aprimora seus produtos de maneira muito útil, e também sempre cria novos produtos que se mostram cada dia mais indispensáveis para o usuário de Internet.

Mas esse não é o ponto principal deste post. O fato é que eu fiquei eufórico depois do ocorrido e mal consigo pensar em outra coisa. Simplesmente acordei às 4h da manhã e só não vim para o PC antes pois precisava guardar meu sono para mais uma jornada de trabalho, mas não consegui voltar a dormir. Fiquei pensando e pensando, gravando ideias no meu celular de 15 em 15 minutos, para este mesmo post. Entre meus pensamentos estavam ao mesmo tempo ideias megalomaníacas de que a notícia repercutisse de tal modo que se gerassem processos e interesses de oportunistas e além de ter minha conta Google obliterada e tudo apagado eu ainda seria ridicularizado por supostamente ter sugerido que haviam roubado minha ideia. E, menos triste, imaginei que tudo isso mal sairia do meu círculo de amigos e que daqui um mês ninguém mais se lembraria.

Nessa "vibe" megalomaníaca pensei, ainda deitado na cama que o rascunho que fiz da "Árvore do Conhecimento" está gravado na pasta "Finanças" do Google, "Nossa, como isso pegaria mal". Sugerindo a ideia de que meu objetivo seria lucrar com isso. Lógico que se esse projeto me rendesse algum dinheiro, não seria nada mal, mas o verdadeiro motivo do desenho estar lá era porque eu estava convencido que certamente teria que PAGAR alguém para programar a página em "flash" da "Árvore" como eu a tinha em mente.

Em minha mente, este post seria ainda maior. Eu queria listar todas minhas ideias que estavam em ressonância com tecnologias e histórias que estavam sendo (ou já haviam sido) desenvolvidas sem meu conhecimento - como também já aconteceu com vários amigos meus. E o pensamento inicial sempre é: "Ah, se eu tivesse registrado esta ideia eu estaria rico". É aí que entra o objetivo deste post (também para eu poder terminá-lo e tomar meu café da manhã e ir trabalhar).

Quem disse que somos DONOS das ideias que surgem em nossa mente?
Quem disse que temos o direito de cobrar por elas?

O conceito de "Direito Autoral" sempre me foi desconfortável. Sim, é o autor de um livro dizendo isso. Ah, você não concorda concorda comigo? Então vamos conversar sobre PROPRIEDADE.

Há bilhões de anos atrás ocorreu o chamado "Big Bang", uma quantidade exorbitante de energia foi criada "do nada", ou por uma outra entidade que muito provavelmente não é nenhum dos seres viventes aqui na Terra ou em outro lugar. Uma parte infinitamente pequena desta energia deu origem ao mundo em que vivemos e uma parte ainda menor deu origem a você. E uma parte muito, mas muito menor lhe colocou uma certa ideia na cabeça. Agora me responda:

Quando você pagou por essa ideia?

Nunca... Foi lhe dada de graça, por um "Influxo Cósmico", por uma "mente" certamente bilhões de vezes maior que a sua. Aliás, nem lhe foi dada; nada é dado neste mundo. Tudo é emprestado, visto que cedo ou tarde teremos de devolver tudo o que achamos que temos: nossas "posses", nosso dinheiro, nosso corpo e até nossas ideias. Acredito que até elas um dia vão se aglomerar num provável "Big Crush", nem que ele aconteça de forma etérica, para não entrar em confronto com a astrofísica atual.

E para finalizar, mesmo se (nesse surto megalomaníaco) algum advogado oportunista dissesse pra mim: "Você tem provas de que a ideia foi sua, podemos faturar milhões com isso", eu simplesmente responderia: "O objetivo das ideias que surgem em minha mente é serem bem utilizadas, que sejam uteis para a humanidade, por mais humildes que sejam. O máximo que eu gostaria é poder trabalhar com ideias, pois elas surgem aos montes aqui".

Ah, sem contar que um projeto que me custaria no mínimo algumas centenas de reais e alguns anos de trabalho, acabou saindo do forno em 50 dias e... DE GRAÇA!

...

"Mas Raphael", refleti eu ainda ressonando, "Você não teve esta ideia há 50 dias atrás... Você a teve há 2 anos, na palestra que você fez para divulgar "Gêmeos.Virtuais"! Porém, nem você havia notado".