domingo, 12 de fevereiro de 2012

Voltando a escrever...

Outro dia conversava com um grupo de amigos quando um deles, ao comentar sobre um famoso escritor, disse sobre um período no qual não se consegue escrever - um período pelo qual muitos escritores passam, quando ficam debruçados sobre uma folha de papel com um lápis ou uma caneta na mão, ou em frente à uma máquina de escrever ou, hoje em dia, na frente de um monitor, com as mãos sobre o teclado sem conseguir formular uma frase sequer. "Como se chama este período mesmo?", ele me perguntou, "Não me lembro", eu disse "Mas estou passando por isso".

Isto foi na sexta passada, quando meu "Bloqueio" (este é o nome) que durou dois anos estava para terminar.

Depois de escrever por praticamente 6 anos seguidos, quase todos os dias (nos piores períodos, pelo menos uma vez por semana) meu combustível acabou. Eu já não tinha mais como dizer o que desejava, as palavras, expressões e formas haviam desaparecido e até mesmo o entusiasmo pelo enredo em andamento.

Qual foi o remédio para isso? Leitura. Eu precisava renovar meu vocabulário, conhecer novas formas de escrita e outros estilos.

Então, após todo este tempo consigo escrever uma página! Parece pouco, mas agora analiso este trabalho de uma perspectiva um pouco diferente...

Como se trata de um capítulo extra de uma história já escrita, é interessante agora ter a consciência de como a própria alma da história coloca certas limitações tanto no conteúdo como na forma, ou seja, eu acabo escrevendo quase da mesma maneira que fazia à nove anos atrás, quando escrevi a primeiras páginas de Gêmeos.Virtuais. Vejo que, mesmo depois de ter escrito tantas coisas diferentes, ao me debruçar sobre os mesmos personagens, é como se minha escrita imediatamente se adequasse ao universo deles e só pouco a pouco eu conseguisse dobra-lo às minhas novas tendências.

Diferentemente do que eu fazia no passado, quando eu apenas ia escrevendo verborragicamente mal me preocupando com uma verossimilhança de costumes e localizações, me vi pesquisando na Internet lugares mais apropriados para o cenário e até trajetos no GoogleMaps. Aos poucos eu também tento dar uma profundidade levemente maior aos personagens e hábitos, mas tentando não perder o clima da leitura original que por ser inexperiente também era simples, de fácil leitura. E o motivo disso é que se um dia eu conseguir lançar uma segunda edição do livro, eu gostaria muito de incluir estes capítulos extras, não como apêndices, mas no corpo da história, encaixados em momentos oportunos para enriquecer e esclarecer certos pontos da trama. E para que o resultado final não se torne um monstro de Frankenstein a fluidez da leitura tem que ser similar.

Vou tentar manter um ritmo de, pelo menos, uma página ou duas por semana. Acho que é uma boa velocidade para este reinício.

Um grande abraço a todos e boa semana!